CVC Corp detalha planos e desafios para a retomada das viagens

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Leonel Andrade, CEO da CVC, que assumiu a companhia no pior mês da pandemia para o Turismo
Leonel Andrade, CEO da CVC, que assumiu a companhia no pior mês da pandemia para o Turismo
"O Turismo vai se recuperar desta crise e a CVC Corp será protagonista desta retomada no Brasil. Aliás, já está sendo." Quem assim atesta é o CEO da companhia, Leonel Andrade, que assumiu o posto em abril, o pior mês da crise para o setor e a companhia.

Carregada de confiança, a previsão transmitida nesta terça-feira aos investidores da maior companhia de Turismo do País, ao apresentar os resultados consolidados de 2019, cuja divulgação foi postergada devido à descoberta de irregularidades em demonstrações financeiras de anos anteriores.

Mas quais são as cartas na manga do dirigente para confiar em tais previsões?

FUNCIONAMENTO PLENO E DIGITALIZAÇÃO
"Todos os investimentos foram mantidos, todas as áreas da companhia estão em pé, operando regularmente, o que é positivo. Estamos colocando em prática a reestruturação que foi alinhada desde a minha chegada. Nosso foco é a digitalização total dos processos da empresa, além da reformulação da equipe, com manutenção de parte dos profissionais e trocas, que têm acontecido", argumenta Andrade.

"Isso sem contar o que talvez seja o mais importante: a unificação das plataformas trará um ganho operacional enorme, pois ainda operamos muito com processos manuais. Temos um plano estratégico em tecnologia, estabelecido para o futuro operacional da empresa, no qual visamos à eliminação de todo e qualquer trabalho manual dentro da CVC Corp. Prevejo que com isso teremos uma altíssima capacidade operacional, baseada sempre em digitalização de processo para o cliente e para o negócio."

REFORMULAÇÃO DA EQUIPE E UNIFICAÇÃO DE NEGÓCIOS
Segundo Leonel Andrade, a CVC Corp contratou 34 executivos nos últimos quatro meses, vindos de empresas do Turismo e de outros setores, sem grandes concentrações de segmentos e empresas, o que em sua visão mostra uma importante diversidade de ideias.

Emerson Souza
Edifício Absoluto, um dos prédios da CVC Corp no ABC Paulista
Edifício Absoluto, um dos prédios da CVC Corp no ABC Paulista
"Reduzimos a quantidade de diretores e unificamos negócios. No B2B, por exemplo, temos cinco unidades em fase de integração. Esta área agora tem uma única gestão [com a direção de Luciano Guimarães], o que nos levará a altos ganhos operacionais, com sinergia, reduzindo os custos substancialmente", afirmou Andrade, reiterando que a unificação de plataformas ajudará nesta remodelação.


VANTAGEM NO DOMÉSTICO, APESAR DO CORTE DE LOJAS
Não só CVC Corp, mas praticamente todas as pesquisas do setor realizadas no mundo todo apontam as viagens domésticas como o motor da retomada. Está aí uma notícia que a CVC Corp vê com bons olhos para o segmento de Lazer.

"A retomada vai se iniciar pelo doméstico e isso nos ajuda, pois neste terreno somos soberanos, os melhores do Brasil", afirma Leonel Andrade.

O CEO reconhece que lojas físicas serão fechadas em definitivo por sofrer o impacto da crise. Hoje, de acordo com suas informações, a CVC Corp tem aproximadamente 1,2 mil lojas abertas. Antes da pandemia eram 1,4 mil. Para ele, aproximadamente 100 lojas físicas não reabrirão pós-pandemia, e outras 100 ainda estão fechadas por restrições de seus mercados, mas voltarão até o fim do ano.

"Prevemos de 1.150 a 1.200 lojas funcionando até o fim do ano. As maiores lojas, as mais importantes, que vendem mais, já estão abertas. Terminaremos 2020 com queda de 10% a 15% nas lojas físicas, o que não representa 4% de corte no lazer. O mercado já sabe que a CVC Corp continuará existindo e confia em nossas marcas. Estamos inclusive aumentando o acordo com as companhias aéreas e os hotéis."

O volume de lazer internacional tardará um pouco mais a voltar, e só deve retomar em níveis consideráveis em 2022.

REVISITAÇÃO DO PLANO ESTRATÉGICO
Na gestão Leonel Andrade, a CVC Corp contratou a consultoria McKinsey para auditar e revisitar 100% do plano estratégico existente. O CEO garante que novos processos estejam sendo desenvolvidos e ressalta a importância de colocar "todos na mesma página, do board da empresa aos investidores, em um novo plano estratégico".

Além disso, a CVC Corp está construindo um novo plano para suas marcas, também com consultorias externas, explorando ganho de sinergias e buscando ter marcas cada vez mais fortes e consolidadas.

"Também contamos com consultorias externas em tecnologia, infraestrutura e processos operacionais. Tudo isso é parte de um investimento para que a companhia crie uma nova cultura, não só em controle e compliance, mas principalmente em competitividade. Estamos agregando um novo modelo operacional, em pessoas e estruturas de CRM e Inteligência de Clientes, entre outras ações. A CVC Corp está com uma nova visão, muito apoiada em tecnologia, no mundo digital, trazendo e agregando muito mais capacidade de competir", completa o CEO da companhia.

NÍVEIS DE 2019? APENAS EM 2022
As vendas atuais estão surpreendendo a CVC Corp, que na visão de Andrade traçou um plano conservador para o período atual. A empresa fechou a última semana de agosto com 30% em vendas na comparação com o mesmo período de 2019, índice este que, pelo planejamento, só seria alcançado em outubro. "O brasileiro tem uma cultura muito forte de reservar em cima da hora. Com isto e com os índices atuais, já prevemos vendas de natal e ano novo muito fortes", antecipa Andrade.

De qualquer maneira, o patamar de vendas registrado em 2019, antes da pandemia, só deve ser alcançado no final de 2022. "Prevemos que apenas em 2023 seremos maiores do que éramos em 2019", afirma o líder da CVC. "É um plano conservador, e os resultados vêm surpreendendo. A capitalização exitosa que tivemos visa justamente proporcionar capital para a companhia vender em escala."

Segundo Leonel Andrade, a CVC deve fechar 2020 com 50% do que vendeu em 2019.

CORPORATIVO MAIS LENTO
Para a CVC Corp, o que gera volume em relação ao mercado corporativo são os grandes eventos, feiras e exposições, o que só deve acontecer no final do ano que vem, segundo previsões da empresa. Desta maneira, os próximos embarques são para negócios pontuais e viagens técnico-operacionais, como manutenção e engenharia, o que não acrescenta tanto volume em vendas.

O corporativo deve, portanto, tardar a se recuperar em relação ao lazer.
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