Estudo revela que IA recomenda pacotes de viagem sem citar grandes operadoras brasileiras
ChatGPT, Gemini e Perplexity reconhecem o papel do trade, mas raramente indicam empresas pelo nome

A inteligência artificial já consegue ajudar o viajante a montar praticamente toda uma viagem, com roteiro, orçamento, documentos e seguro. Mas, na hora de indicar onde comprar o pacote, as maiores ferramentas de IA ainda deixam as operadoras brasileiras em segundo plano.
É o que mostra o ICM Turismo 2026, estudo realizado pela consultoria Pixel&Press com ChatGPT, Gemini, e Perplexity e a Visão Geral criada por IA do Google entre julho e agosto. Nele, foram testadas cinco jornadas de planejamento de viagem, além de perguntas sobre o mercado de operadoras e um teste de reconhecimento de marcas. Nenhuma das perguntas apresentava previamente o nome de uma empresa.
Nas 20 respostas de jornada de compra, apenas duas trouxeram o nome de uma operadora emissiva brasileira. Em outras seis, as ferramentas reconheceram a categoria e recomendaram que o viajante procurasse uma operadora ou agência de viagens, mas sem indicar nenhuma marca. Nas outras 14 respostas, não houve presença do trade nacional.
O estudo mostra que as IAs não ignoram completamente o papel dos intermediários. Ao responder se vale mais a pena comprar um pacote ou organizar uma viagem por conta própria, os quatro modelos conseguem apontar vantagens de recorrer a uma operadora ou agência, como suporte em imprevistos, parcelamento, bloqueio de tarifas e menor complexidade logística.
O problema aparece quando o viajante faz a pergunta seguinte: qual empresa procurar? Nesse momento, o espaço acaba sendo ocupado por outros agentes. Criadores de conteúdo e blogs de viagem aparecem em roteiros culturais e parques temáticos, comparadores de preços ganham espaço nas viagens para a Europa e as próprias armadoras são citadas nas consultas sobre cruzeiros. Segundo o estudo, quanto mais transacional é a pergunta, maior tende a ser a presença de quem vende diretamente ao consumidor.

Braztoa: 34 das 57 operadoras associadas não foram citadas
A pesquisa também analisou a chamada citação espontânea de marcas. Foram feitas oito perguntas sobre o mercado brasileiro de operadoras aos quatro modelos, usando como universo de referência as 57 operadoras associadas da Braztoa.
Desse total, 23 operadoras foram citadas pelo menos uma vez, enquanto 34 não apareceram em nenhuma das perguntas, em nenhum dos quatro modelos. Entre as marcas que conseguiram aparecer, quatro concentraram 82 das 159 aparições registradas.
E quando a IA recebe o nome da operadora?
O cenário muda quando o viajante já chega à ferramenta com uma marca em mente. Em um teste com seis operadoras, os modelos identificaram corretamente a empresa como uma operadora brasileira em 18 das 24 consultas. Quando o nome da empresa foi acompanhado da categoria de atuação, o índice passou para 24 de 24.
Para as operadoras, o alerta do estudo é direto: não basta ser conhecida pelo mercado. É preciso estar presente nas fontes que as ferramentas de IA utilizam quando o consumidor começa a transformar inspiração em decisão de compra.
