Beatriz Contelli   |   17/07/2026 08:02
Atualizada em 15/07/2026 08:02

Tarifas rodoviárias acumulam alta de 6,3% no semestre, aponta ClickBus

Já a passagem aérea ficou cerca de 7,5 vezes mais cara do que a rodoviária no mesmo período analisado


Unsplash/Jonathan Borba
As viagens de curta distância concentram a maior alta do semestre
As viagens de curta distância concentram a maior alta do semestre

No acumulado de janeiro a junho de 2026, as passagens de ônibus subiram 6,3% em relação ao primeiro semestre de 2025, contra uma alta de 23,1% nas passagens aéreas isto é, quase quatro vezes mais que o resultado do Índice do Rodoviário ClickBus (IRCB) para o mesmo período.

Segundo a Fipe e a ClickBus, a diferença se amplia ainda mais quando a comparação é feita entre junho de 2026 e junho de 2025: o rodoviário avançou 7,0%, enquanto o aéreo subiu 52,4%. Na prática, isso significa que a variação da passagem aérea ficou, proporcionalmente, cerca de 7,5 vezes mais cara do que a rodoviária no intervalo de um ano.

O contraste não é um fenômeno pontual de um único mês; ele se repete em todas as janelas de comparação disponíveis no índice. Na série histórica completa, iniciada em dezembro de 2017, o IRCB acumula alta de 59,8%, ainda distante dos 80,9% de avanço das passagens aéreas no mesmo intervalo, com base no IPCA. O rodoviário também segue próximo da inflação geral do País: os 7,0% de variação entre junho/26 e junho/25 do IRCB comparam-se aos 4,6% do IPCA cheio, uma diferença bem menor do que a observada no mercado aéreo.

O monitoramento da ClickBus e da Fipe aponta que cruzar as fronteiras estaduais demandou um ajuste ligeiramente maior do passageiro. O segmento interestadual puxou a alta consolidada do semestre, com variação de 7,6%, ficando à frente do transporte intermunicipal, que variou 5,9%. O mesmo padrão repete-se no acumulado de 12 meses: alta de 6,2% no interestadual contra 5,7% no intermunicipal.

Divulgação

Entre as classes de serviço oferecidas pelas empresas de ônibus, quem buscou o conforto máximo sentiu o maior impacto no bolso no primeiro semestre de 2026: a categoria Cama liderou as altas (+8,8%). O comportamento das tarifas por classe de serviço no acumulado de janeiro a junho configurou-se da seguinte forma:

  • Cama: +8,8%
  • Convencional: +6,9%
  • Semileito: +6,2%
  • Leito: +6,0%
  • Executivo: +4,4% (menor variação do período)

No balanço dos últimos 12 meses, no entanto, a liderança de aumentos inverte-se, sendo ocupada pela classe Convencional (+6,5%), seguida por Leito (+6,1%) e Cama (+5,6%).

As viagens de curta distância, em geral associadas a deslocamentos regionais e ao cotidiano do passageiro, concentram a maior alta do semestre, com variação de 10,1%, padrão que se mantém também nos últimos 12 meses (+9%). Em seguida vêm média-longa distância (+7,0%), média-curta (+6,6%) e longa distância (+5,9%). As viagens de média distância tiveram a menor alta do período, com +4,1%.

Vale destacar que as viagens de longa distância, justamente as que mais concorrem com o transporte aéreo, foram o único grupo a registrar queda na comparação dezembro-junho (-5,8%), apesar de figurarem entre as menores altas do semestre.

No mapeamento regional do primeiro semestre, o Centro-Oeste lidera as altas, com variação de 10,2%, posição que também ocupa na comparação com junho de 2025 (+9,7%) e no acumulado de 12 meses (+9,3%). Na sequência aparecem:

  • Sudeste (+8,2%),
  • Nordeste (+4,4%),
  • Norte (+3,9%).

O Sul apresentou a variação mais contida entre as cinco regiões, tanto no semestre (+1,9%) quanto no acumulado anual (+2,5%), mas, é a região com maior aceleração recente (+7,2%) entre dezembro e junho), enquanto Centro-Oeste (-7,4%) e Norte (-6,0%) recuam no mesmo intervalo.

Um dado do próprio informe ajuda a contextualizar a moderação do IRCB: o preço do diesel, insumo essencial da operação rodoviária, subiu 8,5% no acumulado do primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025, enquanto o IRCB nacional avançou 6,3% na mesma base comparativa.

A diferença entre as altas do principal insumo do setor de transporte de passageiros e dos preços das passagens sugere que parte da pressão de custos não tem sido integralmente transferida para o preço da passagem, um contraponto à leitura de que o rodoviário simplesmente segue mantendo os custos de operação.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Anhembi Morumbi com pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela FAAP. Entrou na PANROTAS em 2019, com foco especialmente em Branded Content, e, desde 2024, atua como repórter da redação.