Disrupção da IA será mais acelerada e desigual do que o esperado, diz Moody's
Agência revisa projeções e aponta maior pressão competitiva, riscos cibernéticos e impacto sobre empregos

A rápida evolução da inteligência artificial está levando a Moody's a rever a forma como avalia os impactos da tecnologia sobre empresas e setores da economia até 2030. Segundo a agência, os avanços recentes fizeram a IA deixar de atuar apenas como ferramenta de apoio aos profissionais para também assumir funções antes desempenhadas por trabalhadores especializados.
De acordo com a Moody’s, a IA já consegue replicar – e, em alguns casos, substituir – atividades ligadas a trabalhos padronizados e intensivos em conhecimento. A mudança ocorre graças à evolução de capacidades como codificação autônoma, modelos mais confiáveis e sistemas agênticos, capazes de executar fluxos de trabalho complexos com supervisão limitada.
A engenharia de software foi a primeira área impactada, mas a Moody’s afirma que a IA já avança sobre tarefas jurídicas, financeiras e de análise de dados.
Com isso, a agência revisou seu framework de cenários para IA até 2030. Antes, a expectativa predominante era de que os ganhos de produtividade compensariam os impactos negativos no médio prazo, gerando um efeito líquido positivo para a maioria dos setores. Agora, a avaliação aponta para uma disrupção mais acelerada e desigual.
Os cenários atualizados da Moody’s incluem:
- 70% de probabilidade para o cenário-base, que prevê avanço contínuo da IA e expansão gradual de suas capacidades. Antes, essa estimativa era de 50%;
- 20% de probabilidade para um cenário em que sistemas de IA consigam executar, de forma confiável, a maior parte das tarefas intensivas em conhecimento em nível comparável ao de profissionais humanos de nível intermediário;
- 10% de probabilidade para um cenário de Inteligência Artificial Geral (AGI), no qual a IA supera o desempenho humano em uma ampla gama de tarefas.
Segundo a Moody’s, a transformação da IA de “copiloto” para “concorrente” tende a aumentar a pressão competitiva sobre empresas tradicionais. A tecnologia reduz barreiras de entrada, diminui custos de produção e enfraquece o valor estratégico de dados proprietários.
A agência avalia que setores intensivos em conhecimento serão os mais expostos, especialmente empresas dependentes de fluxos de trabalho padronizados e baseados em computação. Ainda assim, o impacto deve variar conforme o tipo de atividade e o posicionamento de cada companhia.
Empresas sem dados proprietários exclusivos ou com menor integração às operações centrais de seus clientes tendem a ser mais vulneráveis. Para a Moody’s, o cenário mais provável é de transferência de valor das empresas estabelecidas para fornecedores de modelos de IA e companhias de infraestrutura tecnológica, em vez de uma redistribuição equilibrada dentro dos setores.
A implementação mais rápida da IA também traz novos riscos. Segundo a agência, a principal questão deixou de ser se as empresas vão adotar a tecnologia, passando a ser a velocidade e a escala dessa implementação.
Nesse contexto, as empresas enfrentam o desafio de equilibrar ganhos rápidos de eficiência com a preservação de controle operacional e estratégico. A Moody’s também prevê aumento dos custos totais ligados à IA, mesmo diante da competição entre fornecedores, além da ampliação dos riscos cibernéticos.