NDC avança, mas setor corporativo ainda enfrenta desafios para adoção plena
Reunião do TMG mostra que gestores conhecem conceito, mas integração e maturidade da cadeia ainda limitam

O NDC já faz parte da estratégia de distribuição das companhias aéreas há muito tempo, mas sua adoção no setor de viagens corporativas ainda levanta dúvidas entre gestores de viagens. Pesquisa realizada pelo TMG mostra que, embora a maioria dos travel managers conheça o conceito, a implementação do padrão ainda esbarra em desafios relacionados à tecnologia, à integração com ferramentas OBTs e ao alinhamento entre os diferentes players do setor.
Segundo o levantamento, apresentado em reunião do grupo nesta sexta-feira (17), no InterContinental São Paulo, metade (50%) dos gestores afirma ter conhecimento intermediário, enquanto apenas 9% dizem dominar o tema. Além disso, somente 32% conseguem explicar com clareza as diferenças entre NDC e GDS e 46% afirmam não ter visibilidade sobre como o padrão impacta a experiência do viajante.
Foi esse cenário que pautou um debate entre companhias aéreas, TMCs e OBTs. Ao longo da discussão, representantes da cadeia concordaram que o NDC deixou de ser uma tendência para se tornar parte da estratégia da distribuição aérea. O consenso, porém, é que a maturidade do mercado ainda ocorre em velocidades diferentes.
Para a gerente regional da Iata, Karina Medeiros, o primeiro passo é entender que o NDC vai muito além da tecnologia. "NDC não é tecnologia. A tecnologia vem com ele. NDC é a linguagem de comunicação."
A associação reforçou que o novo padrão foi desenvolvido pela própria indústria e que não há um prazo obrigatório para adoção justamente porque cada empresa enfrenta desafios distintos de implementação.
As companhias aéreas compartilharam essa visão. A Lufthansa, representada pela executiva de Contas Monica Nardo, relembrou que a aérea iniciou sua jornada com NDC no Brasil ainda em 2015 e destacou que o objetivo sempre foi oferecer mais transparência e uma experiência de compra mais rica ao viajante. A companhia também ressaltou que o ambiente corporativo naturalmente exige uma evolução mais cuidadosa do que o lazer.
Nada de hype, NDC é realidade
Para o gerente de Atendimento ao Cliente NDC da Latam, Alex Kawagoi, assim como para outros participantes do painel, o debate deixou de ser uma promessa para se tornar uma discussão prática. O hype já passou e o NDC é um tema concreto. Segundo ele, a tecnologia trouxe para Latam maior flexibilidade para distribuição de conteúdo e acelerou a evolução de funcionalidades tanto na venda quanto no pós-venda.
A American Airlines, com a participação do gerente de Vendas no Brasil, Leandro Lustosa, destacou que o novo padrão amplia as possibilidades de personalização das ofertas, permitindo agregar produtos e benefícios aos acordos corporativos de forma que o modelo tradicional não conseguia entregar.
Apesar da evolução, praticamente todos os fornecedores concordaram que o maior desafio hoje não está no conceito do NDC, mas na integração entre todos os elos da cadeia. Companhias aéreas, agregadores, sistemas de backoffice e plataformas de self-booking evoluem em ritmos diferentes, tornando a implementação mais complexa.
O head de Operações Corporativas da Quickly Travel, Klecio Fernandes, comparou o cenário atual a uma integração entre diferentes mundos tecnológicos, enquanto Carol Gaete, diretora Comercial da Voetur, observou que cada companhia aérea se encontra em um estágio distinto de desenvolvimento, o que dificulta padronizar processos.

Daniel Camillo, head de Serviços da SAP Concur para a América Latina, por sua vez, provocou os gestores presentes ao questionar se as empresas continuam comprando apenas passagens ou se já passaram a pensar na experiência completa do viajante.
Quem é o vilão do NDC?
A discussão deixou claro que não há de fato um “vilão”. Talvez o vilão seja invisível. Não é uma empresa, é o desalinhamento entre quem vende a transformação, quem tem de operar e quem no final paga a conta.
"Como TMC, nosso convite é para que todos venham para o NDC. Nosso papel é segurar as pontas. O caos é o nosso habitat natural. Quando surge um problema, vamos cuidar do passageiro e acionar todos os envolvidos. Estamos aqui para sustentar toda essa operação", aponta o diretor de Operações da Maringá Turismo, Wender Fonseca.
“Para existir vilão, tem de existir vítima. O mercado evoluiu significativamente nos últimos anos e continuará avançando à medida que os diferentes players compartilhem experiências e amadureçam seus processos”
Eduardo Cortes, gerente regional da United Airlines
Encerrando o painel, a Iata reforçou que o NDC representa uma mudança de mentalidade para toda a indústria e antecipou que outras transformações, como o One Order, já começam a desenhar a próxima etapa da distribuição aérea.