Gastos com viagens corporativas crescem 4,1% e atingem R$ 18,2 bilhões em março
Levantamento da FecomercioSP e da Alagev aponta novo recorde para o mês e alta acumulada de 6,7% no 1T26

As viagens corporativas seguem em ritmo de crescimento no Brasil e registraram novo recorde histórico em março de 2026. Segundo o Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), realizado pela FecomercioSP em parceria com a Alagev, os gastos das empresas com serviços relacionados ao segmento alcançaram R$ 18,2 bilhões no período, resultado 4,1% superior ao registrado no mesmo mês de 2025.
No acumulado do primeiro trimestre de 2026, o faturamento do setor já se aproxima de R$ 48 bilhões, representando crescimento de 6,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Apesar de uma desaceleração no ritmo de expansão em março, o desempenho segue positivo e consolidando a retomada sustentável do setor de viagens e eventos corporativos.
De acordo com a análise da pesquisa, a moderação observada no mês está relacionada principalmente à forte base comparativa de março de 2025, quando o setor havia apresentado crescimento expressivo de 11,5%.
Os números da Anac também reforçam o aquecimento da atividade. Em março, foram transportados 10,6 milhões de passageiros em voos domésticos e internacionais, maior volume já registrado para o período. Enquanto o mercado doméstico cresceu 1,3%, o segmento internacional avançou 8,9%.
Outro dado que chama atenção é a elevação das tarifas aéreas. A média das passagens domésticas chegou a R$ 707, aumento de 17,8% na comparação anual, refletindo a pressão de custos já percebida pelo mercado nos últimos meses.
Na hotelaria, os indicadores seguem positivos. Segundo dados do Fohb, a taxa de ocupação hoteleira avançou 8,1% em março, enquanto a diária média registrou alta de 1,3%.
“O mercado segue demonstrando força, capacidade de adaptação e relevância estratégica para os negócios. Mesmo diante de um cenário de inflação pressionando custos, juros elevados e aumento nas tarifas aéreas, as empresas continuam investindo em encontros presenciais, relacionamento e mobilidade corporativa. O que observamos é uma mudança no comportamento das organizações, que passam a buscar viagens mais planejadas, eventos regionalizados e maior eficiência na gestão das despesas, sem abrir mão da conexão presencial”
Luana Nogueira, diretora-executiva da Alagev
O levantamento também aponta atenção do setor aos impactos internacionais sobre os custos de deslocamento. A guerra no Irã e a alta do petróleo, ultrapassando US$ 100 o barril em alguns dias, já pressionam combustíveis e o querosene de aviação, cenário que pode gerar novos reajustes nas passagens aéreas entre 10% e 20% nos próximos meses.

Diante desse contexto, empresas vêm revisando políticas de viagens, priorizando deslocamentos mais estratégicos, eventos em localidades de proximidade e redução de viagens de última hora.
Ainda assim, o ambiente econômico segue sustentando a demanda. Com expectativa de crescimento da economia brasileira em torno de 2% em 2026, a projeção do setor é manter a trajetória de recordes ao longo do ano, com expansão próxima de 7%.
É possível acompanhar o estudo completo no documento disponível neste link.