Karina Cedeño   |   18/06/2026 13:54

Pesquisa aponta que 74% dos travel managers acumulam funções além da gestão de viagens

Levantamento da Paytrack e da Alagev revela os principais desafios dos gestores atualmente


PANROTAS / Emerson Souza
Luana Nogueira, da Alagev
Luana Nogueira, da Alagev

A gestão de viagens corporativas atravessa um momento de transformação. Ao mesmo tempo em que assume maior relevância estratégica nas empresas, a área ainda busca avanços em eficiência operacional, integração tecnológica e valorização profissional.

É o que mostra o estudo “Panorama do Gestor de Viagens no Brasil 2026: desafios, oportunidades e expectativas”, patrocinado pela Paytrack em parceria com a Alagev que ouviu 119 profissionais entre março e abril deste ano.

Responsáveis por coordenar uma atividade que movimentou R$ 147,8 bilhões no Brasil em 2025, os gestores de viagens corporativas vêm assumindo um papel cada vez mais estratégico dentro das empresas. O setor registrou faturamento recorde no ano passado, com crescimento de 6,3% em relação a 2024, segundo o Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), realizado pela FecomercioSP em parceria com Alagev.

Por trás desses números estão profissionais que administram políticas de viagens, controle de despesas, negociação com fornecedores, compliance e experiência dos viajantes, além de uma série de responsabilidades que extrapolam a gestão da mobilidade corporativa.

A área, de acordo com a pesquisa, é composta majoritariamente por mulheres, que representam 84% dos respondentes, enquanto os homens correspondem a 16%. Em relação à faixa etária, predominam profissionais entre 35 e 44 anos, grupo que representa 45% da amostra, seguidos pelos gestores entre 45 e 54 anos, que correspondem a 23% dos entrevistados.

O levantamento também aponta um elevado nível de qualificação. Mais da metade dos profissionais possui pós-graduação lato sensu ou MBA (55%), 35% têm graduação e 70% investem em cursos e certificações voltados à área.

Diferença salarial entre homens e mulheres

O estudo chama a atenção para questões relacionadas à valorização da carreira. Embora as mulheres representem 84% dos profissionais da gestão de viagens corporativas, elas continuam mais concentradas nas faixas salariais inferiores. A pesquisa mostra que 61% dos gestores recebem até R$ 8 mil por mês. Entre as mulheres, a concentração é maior nas faixas de até R$ 5 mil e entre R$ 5 mil e R$ 8 mil. Já os homens, de acordo com a pesquisa, aparecem proporcionalmente nas faixas salariais mais elevadas, com salários que podem ultrapassar os R$ 12 mil.

O levantamento aponta ainda que os homens iniciam a carreira em patamares salariais mais altos e que a diferença em relação às profissionais femininas aumenta ao longo da trajetória profissional. Após dez anos de atuação no setor, o gap entre homens e mulheres chega a representar quase uma faixa salarial inteira.

“A diferença salarial entre gêneros, sobretudo nos níveis mais elevados de remuneração, é um dado que chama a atenção, ainda mais porque a equiparação salarial de gêneros é uma pauta de extrema relevância. O levantamento contribui para ampliar uma discussão importante sobre desenvolvimento de carreira, oportunidades de crescimento e valorização profissional em um setor que passa por um processo de transformação e amadurecimento”

Luana Nogueira, diretora executiva da Alagev

Gestores de viagens também respondem por outras áreas

Shutterstock
Gestão de viagens raramente atua de forma isolada dentro das empresas, segundo o estudo
Gestão de viagens raramente atua de forma isolada dentro das empresas, segundo o estudo

A pesquisa mostra que a gestão de viagens raramente atua de forma isolada dentro das empresas. Além das responsabilidades relacionadas à mobilidade corporativa, 74% dos profissionais também respondem por outras áreas, como recursos humanos, compras, facilities, financeiro e eventos. O perfil encontrado pela pesquisa é composto majoritariamente por profissionais experientes. Cerca de 43% atuam há mais de dez anos no setor, o que ajuda a explicar a ampliação de suas responsabilidades e participação em decisões corporativas.

“A gestão de viagens deixou de ser uma atividade predominantemente operacional. Hoje, o profissional participa de discussões relacionadas à eficiência financeira, governança e experiência dos colaboradores, o que exige atualização constante e uma atuação multidisciplinar”, afirma Luana.

Desafios dos gestores de viagens

Entre os principais desafios enfrentados pelos gestores de viagens corporativas, a redução de custos aparece em primeiro lugar, apontada por 73% dos entrevistados. Em seguida aparecem questões relacionadas a compliance (60%), a falta de integração entre sistemas e processos, citada por 54%, e o engajamento dos viajantes, apontado por 52% dos respondentes.

“Os desafios da área deixaram de estar concentrados apenas na gestão de orçamento. Hoje existe uma combinação de fatores que envolve tecnologia, dados, governança e comportamento dos viajantes. Isso exige uma atuação cada vez mais estratégica dos gestores”, afirma a diretora executiva da Alagev.

Transformação digital em curso

Embora a tecnologia tenha avançado na gestão de viagens corporativas, o estudo aponta que a transformação digital ainda está em curso. Apenas 30% das operações possuem alto nível de automação, enquanto 71% dos gestores ainda convivem com processos manuais em alguma etapa da operação.

Ao mesmo tempo, o uso de ferramentas digitais já é uma realidade para boa parte das empresas. As OBTs estão presentes em 85% das operações, sistemas de Business Intelligence em 68% e ERPs (Enterprise Resource Planning, ou Planejamento de Recursos da Empresa) em 64% dos casos. A inteligência artificial também começa a ganhar espaço. Segundo a pesquisa, 91% dos gestores já utilizam algum tipo de IA em suas atividades, embora apenas 7% contem com a tecnologia integrada diretamente às plataformas de gestão.

O movimento acompanha uma tendência observada em diferentes setores, na qual o uso de dados, a automação e a capacidade de gerar resultados passam a ocupar papel central nas decisões corporativas. A própria digitalização aparece como prioridade de investimento para 48% das empresas ouvidas no estudo, sinalizando o caminho que deverá orientar a evolução da área nos próximos anos, seguida por negociação (23%), segurança (10%) e iniciativas relacionadas a ESG (6%).

A qualidade das informações disponíveis também aparece como um desafio relevante. O levantamento mostra que 44% dos gestores consideram ter apenas uma precisão moderada dos dados utilizados na operação. Outros 17% relatam baixa confiabilidade das informações e 11% afirmam trabalhar com dados fragmentados ou sem precisão consistente.

A situação torna-se ainda mais crítica em operações altamente dependentes de processos manuais. Nesses casos, 83% dos profissionais afirmam não confiar totalmente nos próprios dados, o que pode afetar processos como tomada de decisão, negociação com fornecedores, controle financeiro, compliance e previsibilidade operacional.

Para a Alagev, os resultados ajudam a ampliar a compreensão sobre uma atividade que vem ganhando relevância dentro das organizações e fornecem subsídios para discussões sobre desenvolvimento profissional, tecnologia, gestão e eficiência operacional.

“O levantamento oferece um retrato consistente de quem são os profissionais que lideram a gestão de viagens corporativas no Brasil e dos desafios que acompanham a evolução da área. Nossa expectativa é que essas informações ajudem empresas e profissionais a identificar oportunidades de desenvolvimento e fortaleçam ainda mais o papel estratégico da gestão de viagens nos próximos anos”, conclui Luana.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero em 2011 e com mais de dez anos de experiência em reportagens no setor de Turismo.