Os riscos de quem decide vender milhagem a terceiros

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Paxson Woelber/Flickr

"Certa vez fui comprar uma passagem a R$ 100 de São Paulo a Vitória, mas houve um problema no pagamento e, ao tentar comprar de novo, vi que tinha subido para R$ 500", conta Max Oliveira, que anos mais tarde criaria a famosa Maxmilhas. "Assim percebi que o preço da passagem subia, mas as milhas não."

"A gente conecta pessoas. Nosso mote é que as pessoas merecem viajar e reforçar relações."

Bem-recebido por viajantes, o site de comercialização de milhagens foi o primeiro de um negócio hoje em plena ascensão, que atualmente conta com concorrentes à altura, como Elomilhas e Hotmilhas. Nesses sites, o usuário se cadastra e disponibiliza suas milhas, ao passo que o comprador que navega faz uma busca e a plataforma compara os preços sugeridos. A pesquisa traz o valor do voo na companhia aérea do tíquete que tem a milhagem disponível, a quantidade de milhas necessária para aquele trecho e os melhores vendedores. A compra é feita em transferência bancária.

"O site mostra quando não vale a pena, mas é sempre uma ótima alternativa para voos urgentes, por exemplo, gerando uma economia média de R$ 500."

Arte PANROTAS

Perfeito para quem procura pechinchar, o comércio de milhagem pode sair caro para quem espera vender seus prêmios ou não sabe o que fazer com as milhagens próximas à data de expiração. Programas de fidelidade parceiros de linhas aéreas como Latam e Gol desencorajam a prática, dado o descumprimento do contrato com os planos de fidelidade.
Divulgação Maxmilhas
Max Oliveira, criador do Maxmilhas
Max Oliveira, criador do Maxmilhas

"Se comprovada tais práticas, o cliente Latam Fidelidade pode ser excluído do programa e os pontos dele cancelados", diz a companhia, reiterando que "o mercado secundário de pontos transgride as regras do programa".

O Tudoazul, da Azul, vai na mesma linha. "A comprovação de tais práticas ensejará a imediata exclusão do cliente do programa e o cancelamento de seus pontos, independentemente de serem tomadas as medidas judiciais cabíveis e sem que qualquer indenização seja devida ao cliente."

Diretor de Produtos da Smiles, empresa que gerencia o programa de fidelidade da Gol, André Fehlauer, enfatiza que a ideia do programa de milhagem é engajar o cliente, e que o grande risco de quem decide vender milhagens do programa a terceiros é abrir mão de um leque de benefícios que pode resgatar.

"Engajamento é a palavra. Eu quero que o cliente se engaje com a Smiles. Por isso, sempre tentamos dar aos clientes a capacidade de usar milhas, de diversas formas. No final do dia, se ele estiver tirando milhagem daqui e colocando em outro lugar, é porque não está vendo valor aqui. Para isso, oferecemos uma variedade de acúmulos e de resgate, possibilitando até o uso de milhagem para pagamento da taxa de embarque, por exemplo."
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