TMCs seguirão crescendo em ano desafiador atípico, diz Abracorp
Siderley Santos e Douglas Camargo falam sobre o setor em entrevista na Revista PANROTAS; veja na íntegra

As TMCs associadas à Abracorp fecharam 2025 com faturamento recorde de R$ 13,68 bilhões, crescimento de 0,77% sobre 2024 e consolidação da retomada pós-pandemia. O aéreo respondeu por 57,5% do total, seguido pela hotelaria (31%) e locação de veículos (2,7%).
Para sustentar o crescimento, as associadas investiram mais de R$ 1,5 bilhão no último ano, sendo dois terços em tecnologia e o restante em capacitação de profissionais.
Para 2026, a expectativa é de crescimento entre 1% e 3%, ultrapassando os R$ 14 bilhões. O otimismo é cauteloso: o ano terá a menor quantidade de dias úteis das últimas três décadas, além de Copa do Mundo e eleições no calendário.
Em entrevista à Revista PANROTAS, Siderley Santos, presidente do Conselho da Abracorp, e Douglas Camargo, diretor executivo da entidade, detalham os planos para o ano, a relação com fornecedores e o trabalho junto aos gestores de viagens.
REVISTA PANROTAS - Qual o balanço de 2025?
SIDERLEY SANTOS - Foi um ano muito bom. Todo ano em que crescemos, consideramos como bom. O ano de 2025 foi o complemento da consolidação da retomada depois da pandemia. Crescemos quase 1% de volume, com muitos investimentos por parte das TMCs.
PANROTAS - E o que esperar de 2026?
SANTOS - Ainda há espaço para crescer. Em 2026 as TMCs devem seguir o ritmo de crescimento na casa de 1% ou 2%. As TMCs da Abracorp continuarão investindo bastante em tecnologia e talentos. Desta forma, mesmo com todos os eventos neste ano, como Copa do Mundo e Eleições, e o fato de ser o ano com menos dias úteis das últimas três décadas, as agências de viagens corporativas seguirão em ritmo de crescimento.
PANROTAS - O que esperar deste 2026 cheio de eventos?
DOUGLAS CAMARGO - O investimento de R$ 1,5 bilhão feito pelas TMCs Abracorp em 2025 vai ser refletido em serviço para os clientes e também para as próprias agências, em otimização de processos e ganho de escala. Será um ano no qual a demanda de viagens corporativas estará diretamente ligada à quantidade de dias úteis que teremos, a menor dos últimos 30 anos.
Mas ainda assim estamos otimistas, prevendo crescimento. A Abracorp está cada vez mais se consolidando na criação de eventos segmentados para cada tipo de público.
PANROTAS - E o que a Abracorp fará para estimular este crescimento?
CAMARGO - Este ano, repetindo o sucesso do ano passado, a duração do Fórum Abracorp será de um dia inteiro, focado nos gestores de viagens. Teremos, ainda, a primeira edição do Fórum Abracorp MICE, um evento que vai acontecer em julho, focado exclusivamente no público de Reuniões, Incentivos, Conferências e Exposições. Também devido ao sucesso do ano passado, repetiremos o encontro dedicado aos profissionais de RH.
São todas possibilidades de consolidar os associados da Abracorp como referência no segmento de viagens corporativas, coisa que eles já são há muitos anos. Nossos associados estão crescendo sustentavelmente, sempre presentes nos BIDs, ganhando contas. Então, mesmo com todos os desafios, a Abracorp vai apoiar os associados para que estejam visíveis no mercado e possam se consolidar cada vez mais.

PANROTAS - E junto aos fornecedores? O que a Abracorp pode fazer ao lado das empresas visando ao crescimento de suas TMCs?
SANTOS - Isso é um ponto fundamental para a Abracorp, pois diz respeito a elevar o nível de toda a cadeia produtiva, portanto é um dos temas em que a associação mais tem se debruçado. O ano de 2025 foi um período de aproximação muito grande com os clientes. Por exemplo, temos o CAB, um comitê de clientes dentro da Abracorp, que tem ajudado muito o mercado ao juntar forças com as TMCs para desenvolver fornecedores, seja lá qual for o segmento: Hotelaria, Aéreo, Rodoviário, Locação de Veículos...
Nós temos feito um trabalho bem de perto com todos esses fornecedores. E o resultado está aparecendo de forma bem positiva: todo mundo subiu a régua, todo mundo melhorou a sua entrega. Esse é um papel importante da associação. A cadeia tem que trabalhar completa, unindo forças para se desenvolver. Isso acontece com os clientes também, que sempre acabam ajudando as TMCs a se desenvolverem. Então tem reunião, tem consultoria, tem prestação de serviço.
CAMARGO - E tem mais: ao somar 20 associados, ganhamos poder de negociação muito maior com os fornecedores. Conseguimos muito mais benefícios em comum. As negociações comerciais são individuais de cada associado com a companhia aérea, porém ao fazer parte da associação, a TMC consegue vantagens como waiver, cortesia, entre outras facilidades. Muitas vezes você pode ter um associado que, por questão de volume, não teria acesso diretamente a um determinado fornecedor, mas a partir do momento que ele está em uma associação como a Abracorp, esse fornecedor vem até a associação.
PANROTAS - Cases que podem ser citados?
SANTOS - Temos vários. A exemplo de acordos com companhias aéreas que só os associados Abracorp conseguem. Aliás, 2025 foi um recorde em acordos comerciais para nossas TMCs junto às aéreas, locadoras e principalmente redes hoteleiras, segmento particularmente especial, pois nele as tarifas flutuam.
CAMARGO - Vale também ressaltar que as três principais companhias aéreas brasileiras fizeram o seu dever de casa no corporativo e foram muito próximas à Abracorp no ano passado. Na Hotelaria, Accor e Atlântica fizeram um papel fundamental nessa questão de negociação, de estar próximo à associação. Em Locação de Carros, a Movida provou que se aproximar do corporativo dá resultado. Resultado: a Movida foi a única locadora que cresceu no segmento.
PANROTAS - Em relação aos gestores de viagens corporativas das empresas, o que a Abracorp faz para colaborar com esses profissionais?
SANTOS - Uma coisa importante que aconteceu no ano de 2025 foi justamente a aproximação com os gestores. Estão conosco gestores de alto quilate, como Minerva Foods, Honda, Syngenta, Braskem, Petrobras, KPMG. Eles prestam consultoria no comitê de clientes da Abracorp que comentei anteriormente, o CAB. É um trabalho bem relevante, com participação em reuniões da Abracorp e no Fórum Abracorp voltado a clientes, inclusive fazendo um trabalho de moderação.
E então, representantes de cada cliente e de cada TMC podem fazer negociações nas três pontas direto. Mas esses gestores nos agregam muito com a discussão de oportunidades. Estamos falando de fornecedores em geral, tanto de companhia aérea como hotelaria e os próprios OBTs. São discutidos vários temas para que a gente melhore a cadeia como um todo.

CAMARGO - O Fórum Abracorp, realizado todo ano em agosto, é voltado para o gestor de viagens, e quem faz a curadoria dos temas é o Comitê de Clientes. Então eles, como gestores de viagens, nos passam suas necessidades, e em cima disso trabalhamos a programação. Temas importantes são discutidos nessas conversas, como precificação, entrega e investimento em tecnologia.
PANROTAS - Além dos poucos dias úteis, o que a Abracorp pode dizer aos associados e ao mercado sobre 2026?
SANTOS - O mais importante é que as TMCs darão continuidade no investimento em tecnologia e na tentativa incessante de trazer mais possibilidades para os clientes.
CAMARGO - Há muitas TMCs querendo se associar à Abracorp, mas existe todo um processo para fazer parte do quadro. Passa pelo Conselho de Ética, Fiscal e de Administração até a aprovação na Assembleia. Temos alguns pleitos em andamento. Já temos efetivamente a partir de janeiro um novo associado, a Trade Turismo, de Uberlândia (MG), e com ela chegamos a 24 membros. Lembrando que nós, como associação, não fazemos um trabalho de captação de novos associados.
O conteúdo acima é parte integrante do Anuário PANROTAS de Viagens Corporativas e Eventos 2026, edição especial que reúne análises, dados, entrevistas e listas estratégicas para os profissionais do segmento. Veja na íntegra abaixo: