Pedro Menezes   |   01/04/2026 16:41
Atualizada em 01/04/2026 16:44

Alta do QAV tem "consequências severas" para setor aéreo, diz Abear

Mercado de energia vem operando sob forte volatilidade desde o início da guerra no Oriente Médio


Divulgação
Combustível passa a responder por 45% dos custos operacionais das companhias aéreas
Combustível passa a responder por 45% dos custos operacionais das companhias aéreas

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) veio a público alertar sobre os impactos do reajuste de 54,6% no preço do Querosene de Aviação (QAV). Somado ao aumento de 9,4% em vigor desde 1º de março, o combustível passa a responder por 45% dos custos operacionais das companhias aéreas.

"A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do País e a democratização do transporte aéreo"

Abear, em comunicado oficial

A Abear lembra ainda que, embora mais de 80% do QAV consumido no Brasil seja produzido internamente, sua precificação acompanha a paridade internacional, o que intensifica os efeitos das oscilações do preço do barril de petróleo sobre o mercado doméstico, ampliando os impactos de choques externos sobre os custos das companhias aéreas.

"Nesse sentido, a Abear tem defendido a implementação de mecanismos que permitam diminuir os impactos do aumento do QAV, garantindo o desenvolvimento do transporte aéreo, a conectividade nacional e a sustentabilidade econômica das operações", informou a associação.

Combustível de aviação chega a US$ 102 nesta quarta (1)

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No Brasil, apenas o QAV já representa mais de 30% dos custos operacionais das companhias
No Brasil, apenas o QAV já representa mais de 30% dos custos operacionais das companhias

Como vimos no Portal PANROTAS, o setor aéreo global enfrenta um de seus momentos mais desafiadores desde a pandemia. De acordo com o relatório mais recente da Iata, os preços do querosene de aviação registraram alta histórica, impulsionados pela escalada de tensões geopolíticas no Oriente Médio.

O mercado internacional de energia vem operando sob forte volatilidade, com o barril do Brent crude oil saltando de cerca de US$ 70 para patamares superiores a US$ 115 no auge das tensões geopolíticas. Nesta quarta-feira, no entanto, a commodity registrava recuo de 1,80%, sendo negociada a US$ 102,10.

No Brasil, apenas o QAV já representa mais de 30% dos custos operacionais das companhias. Analistas indicam que o reajuste acumulado de 55% no mercado doméstico deve ser repassado diretamente ao consumidor final.

Petrobras vai parcelar a alta do QAV

Em meio ao aumento global, a Petrobras decidiu suavizar o impacto do reajuste do querosene de aviação (QAV) ao permitir que distribuidoras paguem, em abril, um aumento de 18%, bem abaixo dos 54,8% previstos em contrato, segundo informações do jornal O Globo.

A diferença poderá ser parcelada em até seis vezes, com início dos pagamentos a partir de julho de 2026, medida que tende a dar fôlego financeiro às companhias aéreas em um momento de forte pressão de custos no setor.

Comunicado da Abear na íntegra

"Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) alerta para os impactos do reajuste de 54,6% no preço do Querosene de Aviação (QAV). Somado ao aumento de 9,4% em vigor desde 1º de março, o combustível passa a responder por 45% dos custos operacionais das companhias aéreas. A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo.

Embora mais de 80% do QAV consumido no Brasil seja produzido internamente, sua precificação acompanha a paridade internacional, o que intensifica os efeitos das oscilações do preço do barril de petróleo sobre o mercado doméstico, ampliando os impactos de choques externos sobre os custos das companhias aéreas.

Nesse sentido, a Abear tem defendido a implementação de mecanismos que permitam diminuir os impactos do aumento do QAV, garantindo o desenvolvimento do transporte aéreo, a conectividade nacional e a sustentabilidade econômica das operações".

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.