4 anos de joint-venture Delta e Latam: conquistas vão além da oferta de assentos
Juntas, empresas detêm 37% da oferta da capacidade aérea entre Brasil e Estados Unidos

A joint venture entre Delta Air Lines e Latam completa quatro anos hoje, com 23 mil voos operados e 7 milhões de assentos oferecidos no mercado entre Brasil e Estados Unidos. Desde o início da parceria, as companhias aumentaram em 33% a oferta conjunta e alcançaram 37% de participação na capacidade entre os dois países.
Os números foram compartilhados pela diretora de Vendas e Marketing da Latam Brasil, Aline Mafra, ao lado do gerente regional de Vendas da Delta no Brasil, Ricardo Oliveira, em conversa com a PANROTAS durante a Abav Expo 2026.
- A expansão segue nesta alta temporada. Em São Paulo, a Delta terá novamente uma segunda frequência diária entre Guarulhos e Atlanta, de forma sazonal, do fim de outubro ao fim de março.
- O Rio de Janeiro também ganha mais oferta. A ligação sazonal entre Galeão e Nova York volta no fim de outubro e será diária até o fim de março. Já o voo entre Rio e Atlanta, atualmente operado quatro vezes por semana, passa a diário em dezembro e mantém essa frequência durante a temporada.
- A Latam também vem ampliando a conectividade doméstica a partir do Galeão, com voos para destinos como Maceió e Goiânia durante a alta temporada, alimentando as operações internacionais da parceria.
- Miami é outro mercado que recebe reforço. Segundo Aline, em alguns dias da semana a oferta chega a três frequências, incluindo opções de voos em diferentes períodos do dia.
Muito além dos voos e frequências
Depois de quatro anos, Aline considera que um dos principais aprendizados da parceria está justamente no trabalho necessário para manter duas companhias atualizadas sobre a malha, os produtos e as alternativas disponíveis para o cliente.
“Essa parceria é viva, é dinâmica, na qual as novidades, as atualizações, acontecem o tempo inteiro. Se não formos ágeis nessas atualizações, corremos o risco de não saber qual é a melhor solução para o cliente. Não estamos dentro da companhia um do outro e mesmo assim conseguimos fazer essa troca com muito êxito”
Aline Mafra, diretora comercial da Latam no Brasil
Um exemplo é Salt Lake City. Com a ligação sazonal da Delta entre Lima e a cidade localizada em Utah, o hub peruano da Latam passa a abrir uma alternativa de conexão para passageiros brasileiros em direção ao oeste dos Estados Unidos.
“Não é um itinerário que vem imediatamente à cabeça do brasileiro, mas Lima é um grande hub e, geograficamente, pode ser uma construção de rota muito eficiente. Esses detalhes precisam chegar ao agente de viagens. A Delta precisa conhecer a melhor solução da Latam e nós precisamos conhecer a melhor solução da Delta. Na ponta o agente de viagens precisa usar dessa joint-venture para facilitar a vida do cliente”, completa Aline.
Salt Lake City funciona ainda como ponto de distribuição da Delta para destinos da Costa Oeste dos Estados Unidos, Havaí, Canadá, além de conexões para a Ásia.
Impressão de uma só companhia

A integração também ocorre nos aeroportos. Ricardo cita o projeto Side by Side, por meio do qual equipes das duas companhias trabalham conjuntamente no atendimento e na resolução de problemas.
No Rio de Janeiro, segundo o executivo, 27 funcionários da Latam são dedicados ao atendimento da operação da Delta.
“Não é somente um contrato assinado. Existe investimento financeiro e investimento humano. O funcionário do check-in olha o bilhete e, para ele, é indiferente se está atendendo um passageiro Latam ou Delta. As equipes estão lado a lado e se falam”
Ricardo Oliveira, gerente regional de Vendas da Delta no Brasil
A diretora da Latam também reforça que boa parte desse trabalho acontece sem que o passageiro perceba. “Não basta assinar uma joint-venture e esperar que as empresas se complementem por osmose. Para o passageiro parecer simples, existe um trabalho de bastidor robusto.”
A mesma lógica vale para o segmento corporativo. Segundo os executivos, os contratos corporativos incluídos na JV já permitem ao passageiro utilizar os benefícios negociados independentemente de o trecho ser operado por Delta ou Latam.

A aproximação também chegou à manutenção. As empresas firmaram uma intenção de compartilhamento de serviços, sujeita às aprovações necessárias, envolvendo a Delta TechOps e o centro de manutenção da Latam em São Carlos. A proposta inclui serviços da Delta em componentes dos Boeing 787 da Latam e trabalhos da estrutura brasileira em componentes da família Airbus A320.
Produtos entram na equação
As duas companhias continuam investindo na experiência premium.
- Na Latam, Aline destacou o retrofit da frota de Boeing 787, a instalação de wi-fi nos aviões de fuselagem larga e a chegada da Premium Comfort, classe intermediária entre Economy e Premium Business prevista para 2027.
- Na Delta, Oliveira destacou a renovação da Delta One. A companhia começará a receber em 2027 os Airbus A350-1000 com uma nova geração da Delta One Suite, enquanto aeronaves A330-200 e A330-300 também passarão por modernização para receber suítes com portas.
Para o gerente regional, a capilaridade da Latam na América do Sul foi crucial para aumentar a presença da Delta na região. A rede combinada das duas empresas oferece hoje mais de 300 destinos.
“Quando falamos de Brasil, não falamos só de São Paulo e Rio de Janeiro. Contamos muito com a capilaridade da Latam para trazer passageiros de todo o País e conectá-los conosco para os Estados Unidos e, de lá, para outros mercados”, afirma.
A rota entre São Paulo e Los Angeles, operada pela Latam, é citada pelo executivo como um dos exemplos dessa complementaridade. Além da demanda para a Califórnia, Los Angeles funciona como porta de conexão da Delta para outros destinos, especialmente na Ásia.
Quatro anos depois do início da joint venture, Aline resume a evolução da parceria pelo trabalho que deixou de acontecer apenas em reuniões entre as companhias e passou para o cotidiano das equipes. “Hoje a Delta frequenta o nosso escritório. É esse nível de união que permite que a gente consiga representar bem uma companhia e a outra.”
Mais números de dados sobre a joint-venture
- No balanço de três anos da parceria, divulgado em outubro de 2025, Delta e Latam contabilizavam mais de 62 mil voos e 14,5 milhões de passageiros entre a América do Norte e a América do Sul.
- Naquele mesmo balanço, a capacidade combinada da JV entre os dois continentes havia crescido 88% desde 2022, com oito novas rotas e 28 rotas diretas.
- Entre Brasil e Estados Unidos, o número de passageiros transportados pelas duas companhias passou de 797 mil em 2022 para 2 milhões em 2024, segundo dados da Anac divulgados pela PANROTAS.
- Em novembro de 2025, a parceria contabilizava 182 contratos globais no segmento corporativo e 12 agências dentro do programa da JV, com metas e incentivos unificados.
- Em abril de 2026, Delta e Latam fecharam um acordo comercial de longo prazo para serviços de manutenção, reparo e revisão. A cooperação envolve a Delta TechOps e o MRO da Latam em São Carlos e recebeu aprovação sem restrições do Cade ainda naquele mês.
- Os programas de fidelidade Latam Pass e Delta SkyMiles oferecem benefícios recíprocos. Os clientes podem acumular e resgatar pontos ou milhas ao voar com a companhia parceira, enquanto membros de categorias Elite e Medallion contam, conforme a categoria, com benefícios como reconhecimento de status, acesso a salas VIP, embarque e check-in prioritários, franquia adicional de bagagem e seleção de assentos sem custo.