Iata projeta que perdas profundas continuem até 2021

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A Iata acaba de anunciar uma revisão das perspectivas para o desempenho do setor de aviação em 2020 e 2021. Apesar de as enormes perdas da indústria continuarem no ano que vem, o desempenho deve melhorar durante o período da previsão.

Unsplash/Stefan Fluck
Iata projeta que perdas profundas continuem até 2021
Iata projeta que perdas profundas continuem até 2021
Um prejuízo líquido de US$ 118,5 bilhões é esperado para este ano (mais do que os US$ 84,3 bilhões previstos em junho) e uma perda líquida de US$ 38,7 bilhões é prevista para 2021 – mais do que os US$ 15,8 bilhões projetados também em junho.

Fatores de desempenho em 2021 mostrarão melhorias em 2020 e espera-se que o segundo semestre do ano que vem apresente melhores resultados após um primeiro semestre difícil de 2021. Já o corte de custos agressivo deve se combinar com o aumento da demanda durante o próximo ano (devido à reabertura das fronteiras com testes ou a disponibilidade de uma vacina) para ver a indústria registrar um caixa positivo no quarto trimestre de 2021, que é antes do previsto anteriormente.

“As companhias aéreas cortaram custos em 45,8%, mas as receitas caíram 60,9%. O resultado é que as empresas perderão US$ 66 para cada passageiro transportado este ano, resultando em um prejuízo líquido total de US$ 118,5 bilhões. Essa perda será reduzida drasticamente em US$ 80 bilhões em 2021. Mas a perspectiva de perder US$ 38,7 bilhões no próximo ano não é nada para comemorar. Precisamos reabrir as fronteiras com segurança, sem quarentena, para que as pessoas voem novamente. E com as aéreas que devem perder dinheiro pelo menos até o quarto trimestre de 2021, não há tempo a perder”, diz o diretor geral e CEO da entidade, Alexandre de Juniac.

2020
Diante de uma queda de receita de meio trilhão de dólares (de US$ 838 bilhões em 2019 para US$ 328 bilhões em 2020 as companhias aéreas cortaram custos em US$ 365 bilhões (de US$ 795 bilhões em 2019 para US$ 430 bilhões em 2020).

Todos os principais parâmetros operacionais no negócio de passageiros foram negativos:

  • O número de passageiros deve cair para 1,8 bilhão (60,5% abaixo dos 4,5 bilhões de viajantes em 2019). Este é aproximadamente o mesmo número que a indústria registrou em 2003
  • Espera-se que as receitas de passageiros caiam para US$ 191 bilhões, menos de um terço dos US$ 612 bilhões ganhos em 2019. Isso em grande parte impulsionado por uma queda de 66% na demanda de passageiros. Os mercados internacionais foram atingidos de forma desproporcional, com uma queda de 75% na demanda. Os mercados domésticos, em grande parte impulsionados por uma recuperação na China e na Rússia, devem ter um desempenho melhor e terminar 2020, 49% abaixo dos níveis de 2019.
  • Outra fraqueza é demonstrada pelos rendimentos de passageiros, que deverão cair 8% em comparação com 2019, e um fraco fator de ocupação de passageiros, que deverá ser de 65,5%, abaixo dos 82,5% registrados em 2019, um nível visto pela última vez em 1993.

2021
Espera-se que o desempenho financeiro das companhias aéreas tenha uma mudança significativa para melhor em 2021, mesmo que prevaleçam perdas historicamente profundas. A perda esperada de US$ 38,7 bilhões em 2021 ficará atrás apenas do desempenho de 2020.

Supondo que haja alguma abertura de fronteiras em meados de 2021, as receitas gerais devem crescer para US$ 459 bilhões (melhoria de US$ 131 bilhões em relação a 2020, mas ainda 45% abaixo dos US$ 838 bilhões alcançados em 2019). Em comparação, os custos deverão aumentar apenas US$ 61 bilhões, proporcionando um melhor desempenho financeiro geral. As companhias ainda perderão, no entanto, US$ 13,78 para cada passageiro transportado. No final de 2021, receitas mais fortes melhorarão a situação, mas o primeiro semestre do próximo ano ainda parece extremamente desafiador.

O número de passageiros deve crescer para 2,8 bilhões em 2021. Isso seria um bilhão de viajantes a mais do que em 2020, mas ainda 1,7 bilhão de viajantes aquém do desempenho de 2019. Espera-se que o rendimento do viajante seja estável e a taxa de ocupação aumente para 72,7% (uma melhoria em relação aos 65,5% esperados para 2020, mas ainda bem abaixo dos 82,5% alcançados em 2019).

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