DNA de Agente: G. Tour, de Itu, comprova valor do agente em meio às mudanças do Turismo
Agência do interior paulista é a segunda da série DNA de Agente lançada pela PANROTAS

A G. Tour nasceu oficialmente em 17 de setembro de 2001. Seis dias antes, o mundo assistia aos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos - um dos acontecimentos que mais impactaram e mudaram a história da aviação e do Turismo mundial.
Enquanto as imagens dos aviões atingindo as Torres Gêmeas apareciam em looping na TV, Marcelo Gatti limpava a agência ao lado do pai, Haylton Gatti, preparando o espaço para a inauguração da empresa em Itu, no interior de São Paulo.
"Eu lembro exatamente daquele momento. Estávamos arrumando a agência de viagens quando vimos a notícia do primeiro avião", conta Marcelo.

A coincidência acabou marcando simbolicamente a trajetória da empresa, que atravessaria, ao longo dos últimos 25 anos, praticamente todas as grandes transformações do Turismo moderno: digitalização, ascensão das OTAs, bilhetes eletrônicos, redes sociais, inteligência artificial e até uma pandemia global.
"Eu brinco que a gente já abriu na crise", diz, aos risos, Marcelo, que hoje está diariamente no cotidiano da empresa. Mas a história da G. Tour começou ainda antes disso.
Uma agência que nasceu em família
A relação do patriarca com o Turismo começou antes mesmo da criação da agência - e quase por acaso. Já aposentado, ele participava, com sua esposa, Geslaine Neder Gatti, ativamente do Rotary Club em Itu (SP) quando percebeu que alguns conhecidos faziam bate-voltas rodoviários ao Paraguai.
Foi então que decidiu organizar uma viagem diferente, sem as lacunas que identificava nas que já tinha participado. Aproveitando um encontro internacional do Rotary em Puerto Iguazú, na Argentina, Haylton montou um roteiro passando por Foz do Iguaçu (PR) e reuniu amigos e conhecidos no grupo.

Ao chegar ao hotel, ouviu uma pergunta que acabaria mudando sua trajetória profissional. "O pessoal do hotel perguntou há quanto tempo ele trabalhava com Turismo. E ele respondeu que nem trabalhava no setor. Ainda", conta Marcelo.
Metódico e organizado, Haylton passou a enxergar ali uma oportunidade. Sem agência própria naquele momento, começou a operar viagens em parceria com uma empresa de São Paulo, utilizando a estrutura da operadora para negociar com fornecedores e organizar os grupos.
Nessa época da vida, Haylton, aos 51 anos, voltou ao batente ao perceber a oportunidade. O filho, com 21, naquela momento, se preparava para entrar na faculdade de Turismo.

Quando chegou ao último ano do curso, pai e filho perceberam que poderiam transformar a experiência prática de um e a formação acadêmica do outro em empreendedorismo.
Foi assim que nasceu a G. Tour.
Evolução e produtos
Os hábitos e costumes dos primeiros anos da agência aos poucos foram se moldando a um mercado que mudava rapidamente. Com o passar dos anos, a G. Tour deixou de atuar majoritariamente com passagens de ônibus e passou a investir cada vez mais em produto viagens para famílias, sobretudo em resorts e destinos internacionais.

É nesse nicho que a empresa tem seu principal filão de negócios até hoje com a adição de produtos Disney e Europa - além de um segmento de luxo que vem crescendo gradualmente dentro da operação.
Durante muitos anos, a agência também teve forte atuação em grupos acompanhados. Haylton e sua esposa lideraram diversas viagens ao longo da trajetória da empresa, acompanhando passageiros em roteiros nacionais e internacionais.
"Meu pai e minha mãe sempre acompanharam muitos grupos. Com o tempo isso foi ficando mais difícil por conta da idade, mas ainda fazemos", conta.
Ao contrário de operações extremamente massificadas, Marcelo afirma que a G. Tour sempre buscou trabalhar com proximidade e relacionamento - principalmente no atendimento familiar.
Isso ajuda a explicar por que grande parte da clientela acompanha a agência há muitos anos.
O agente de viagens como peça central
Ao falar sobre o futuro do Turismo, os empresários demonstram uma convicção construída pela experiência de quem viu inúmeras previsões sobre o "fim das agências" fracassarem ao longo das últimas décadas.
Na visão deles, a pandemia foi a prova definitiva da importância do agente de viagens no suporte ao cliente.

"Teve muito passageiro que nem tinha comprado comigo e que a gente ajudou durante a pandemia. Depois virou cliente", relembra.
Para Marcelo, a grande diferença continua sendo o suporte humano - principalmente quando algo sai do planejado. "Na hora que precisa resolver problema, a internet ou as OTAs não vão atender como um agente atende", diz.
Mesmo reconhecendo o avanço da inteligência artificial e das ferramentas digitais, ele acredita que a tecnologia deve funcionar como apoio ao profissional, não como substituição.
"O passageiro hoje chega muito mais informado, já pesquisou, viu vídeos, montou roteiro, fez cotação. Mas isso ajuda a gente também. Principalmente por estamos falando de meios de informação. Mas tem muita coisa que a internet ou a IA não vão conseguir entregar"
Marcelo Gatti
Segundo ele, o papel da agência mudou ao longo do tempo e se tornou ainda mais consultivo. "Falo para os clientes pesquisarem mesmo e depois me mandarem o que encontraram. A gente consegue orientar, ajustar e mostrar o que realmente vale a pena", explica.
Parceiros que valorizam o agente
No relacionamento com o trade, Marcelo também demonstra um posicionamento claro: a G. Tour prefere trabalhar com empresas que valorizam o canal de distribuição e respeitam o agente de viagens.
Entre os principais parceiros da agência estão operadoras como Orinter, Diversa, Queensberry, Ehtl, Azul Viagens, Visual e Abreu, além de consolidadoras como Ancoradouro, Sakura, OTT e TPAir.
Mas o critério principal não é apenas produto ou tarifa. "A gente procura trabalhar com operadoras e hotéis que sejam parceiros de verdade do agente de viagens", afirmou Marcelo.
O executivo explica que evita fortalecer fornecedores que concorrem diretamente com o próprio agente oferecendo tarifas mais baixas ao consumidor final.

"Às vezes você divulga um hotel e o cliente liga direto lá porque ele propagandeiam preço menor do que pela agência. Isso não é uma parceria saudável", considera o diretor.
Para ele, o fortalecimento do Turismo passa por relações comerciais mais equilibradas e sustentáveis para todos os lados da cadeia.
Atualização constante para seguir relevante
Depois de mais de duas décadas de mercado, Marcelo e Haylton acreditam que a principal obrigação de uma agência hoje é continuar se atualizando. "A agência tem que usar a tecnologia a favor dela e continuar estudando o mercado", afirmou Marcelo.
A experiência acumulada ao longo dos anos ensinou, segundo os Gatti, que o Turismo muda rápido - e quem não acompanha essas mudanças perde espaço.

Ainda assim, ele acredita que algumas coisas permanecem insubstituíveis. "No fim, o passageiro quer segurança. Quer alguém que conheça o caminho e esteja do lado dele se precisar", conclui.
G. Tour
- Rua da Convenção, 525 - Vila Nova, Itu (SP), 13309-000
- g.tour@gtourviagens.com.br
- (11) 4025-3030
- www.gtourviagens.com.br
- @g.tourviagens