Pink Money: como a diversidade movimenta a economia

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A matéria completa está disponível na edição especial LGBTravel da Revista PANROTAS
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No último dia 17, o Fórum Virtual de Direitos LGBTQ2+ – realizado pelo Governo do Canadá por meio de suas representações diplomáticas no Brasil, Argentina e Chile – promoveu um painel sobre “Pink Money”, que debateu a inclusão da população LGBTQIA+ no mercado de trabalho, o Turismo LGBTQIA+ e o seu impacto para a economia. O evento contou com a participação de Ricardo Gomes, presidente da Câmara LGBT; Martina Ansardi, da ONG Contratá Trans da Argentina; Márcia Rocha, da TransEmpregos; e Darrell Schuurman, da Câmara de Comércio LGBT+ do Canadá.

O chamado Pink Money (poder de consumo da comunidade LGBTQIA+) gera um grande impacto para a economia e a diversidade, em todos as esferas, pode ser uma importante mola propulsora do avanço dos negócios. No entanto, é consenso entre os participantes que tanto as empresas quanto os governos precisam oferecer meios para garantir a participação da população LGBTQIA+ no mercado de trabalho e criar ações em conjunto em prol da diversidade e inclusão, seja no Turismo ou em outros setores.

LGBTQIA+ NO MERCADO DE TRABALHO
Para Ricardo Gomes, o profissional LGBTQ+ precisa estar sempre à frente dos demais para conseguir espaço no mercado de trabalho em razão, principalmente, do preconceito. “Historicamente, a população LGBT precisa estudar e se dedicar às suas funções muito mais simplesmente para conseguir se equiparar às outras pessoas, em sua maioria, heterossexuais. Então, tem que estar mais qualificado, ser mais produtivo e ser um profissional de altíssimo gabarito para conseguir se manter ou ascender a cargos mais importantes”, destacou.

Em relação aos caminhos necessários para que as pessoas LGBTQ+ tenham acesso ao mercado de trabalho, Márcia Rocha e Martina Ansardi ressaltaram que a mudança precisa vir de baixo para cima, começando pelas pessoas e organizações para, posteriormente, chegar ao poder público. “Nenhum ativista que esteja sentado 24 horas no escritório vai saber resolver o problema das pessoas que estão na rua. Os Estados que não se conectam com as organizações estão muito equivocados. Para que haja uma mudança efetiva, é preciso caminhar na rua, falar com as pessoas e entender suas necessidades para que as políticas possam contemplar a todos”, ressaltou Martina.
João Pedro Caleiro, Martina Ansardi, Ricardo Gomes, Darrell Schuurman e Márcia Rocha, além da intérprete Beatriz
João Pedro Caleiro, Martina Ansardi, Ricardo Gomes, Darrell Schuurman e Márcia Rocha, além da intérprete Beatriz
INCLUSÃO DA POPULAÇÃO TRANS
Entre a população LGBTQ+, as pessoas trans são as mais afetadas quando o assunto é inclusão no mercado de trabalho. Os participantes do painel reforçaram que o preconceito é ainda maior contra essa parcela da comunidade. No Brasil, o TransEmpregos, idealizado por Márcia Rocha, contribuiu para que 707 pessoas trans fossem contratadas em 2020. Atualmente, são mais de 24 mil currículos cadastrados no projeto.

“O preconceito sempre foi muito forte e essa é a principal barreira, seja no comércio de bairro, seja em uma multinacional. Empresas são feitas por pessoas e o preconceito está dentro das pessoas”, pontou Márcia. “Existem excelentes profissionais trans que não estão sendo contratados por puro preconceito e isso não é bom para o País, para os negócios, para ninguém. Por isso, temos que levar a informação e mostrar que o LGBT é muito competente. A maior finalidade do nosso projeto não é apenas dar emprego às pessoas trans, mas queremos que elas mostrem sua competência e mostrem que é possível. O melhor caminho é informar e levar conhecimento”, explicou.

Outra maneira de enfrentar os desafios é criando alianças, segundo Martina. “É muito importante poder manter a aliança com empresas que já têm políticas de inclusão de pessoas trans para criar o ‘efeito de contágio’. É uma forma de criar mais impacto na inclusão e compreender que a diversidade já está dentro das empresas. As novas gerações já pensam na diversidade como algo natural. Portanto, é preciso trabalhar para que essa convivência seja saudável”.

TURISMO LGBTQ+ NO PÓS-PANDEMIA
Uma pesquisa da IGLTA realizada entre março e abril revelou que cerca de 60% dos viajantes LGBTQ+ gostariam de viajar ainda este ano. Esse dado reforça a importância do Turismo LGBTQ+ e da equidade, diversidade e inclusão nos destinos. De acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT), o Turismo LGBTQ+ é 30% mais rentável do que o Turismo convencional. Para que essa retomada aconteça de maneira eficaz, os participantes concordaram que as empresas e os destinos devem se preparar para receber os viajantes LGBTQ+. “Sabemos que os viajantes LGBT vão voltar a viajar mais rapidamente no pós-pandemia, então precisamos garantir que esses negócios estejam prontos para recebê-los”, destacou Schuurman.

A LUTA PELA DIVERSIDADE E INCLUSÃO
Além das ações de empresas e organizações, a diversidade e a inclusão podem ser alcançadas por meio do trabalho em conjunto entre o poder público, privado e a sociedade civil. Gomes mencionou o acordo da Câmara LGBT com a Setur-SP para a promoção do Turismo inclusivo na capital paulista como um dos exemplos desse trabalho de cooperação, além de frisar a necessidade da luta integrada em uma sociedade. “Existem formas de trabalhar com os governos que não demandam leis. A gente pode simplesmente juntar forças e fazer um grande movimento”, destacou.

Para além do Pink Money, as empresas devem focar em promover a diversidade e inclusão nas práticas adotadas. No entanto, os participantes reforçaram que essa luta deve acontecer sempre, e não apenas durante o Mês do Orgulho LGBTQ+.

Leia a matéria na íntegra na edição especial LGBTravel da Revista PANROTAS (pág. 36).


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