CONSOLIDADORAS

Consolidadoras em debate - parte 3: agentes exigem transparência

Netto Moreira
Rocha: "Eu não compraria de um subconsolidador"
Depois de dar voz aos líderes da consolidação no Brasil, a série Consolidadoras em Debate abre espaço para entender como os agentes de viagens veem os mais recentes movimentos do segmento, que responde por boa parte da emissão de bilhetes aéreos no País. A terceira reportagem mostra como a base do mercado turístico enxerga a relação com o consolidador e a atuação de um novo intermediário, o subconsolidador.

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No embate jurídico que envolve o fechamento da Intercontinental Turismo, a Prime Consolidadora adquiriu uma liminar que mantém as passagens aéreas emitidas, mas como está a situação das agências envolvidas no imbróglio? Em contato com o Portal PANROTAS, a União Nacional de Agências de Viagens (Unav) revelou que conta com participantes que tiveram prejuízo, mas que já estão tratando do assunto na justiça.

TRANSPARÊNCIA EXIGIDA

Da mesma maneira que pensam os grandes consolidadores do País, os agentes se mostram incomodados com uma 'nova' operação que era desconhecida por muitos. A líder da Unav, Inês Melo, da Stanfer Turismo, afirma que diversos participantes da união sequer conheciam o termo "subconsolidação" e não tinham conhecimento dessa atuação. Diante disso, o principal pedido é por uma maior transparência. "É o mínimo que eles [subconsolidadores] podem fazer. Queremos saber com quem trabalhamos", disse. Ou seja, a subconsolidadora deveria explicitar que a emissão foi feita por outra consolidadora. Vale lembrar que algumas consolidadoras, mesmo grandes, compram produtos de outras congêneres. Não é uma subconsolidação, mas essa triangulação não fica clara para o cliente ou o agente de viagens.

Hoje, quando compramos na Amazon, a plataforma explica de onde virá o produto, daí a diferença de preço para o mesmo produto e do valor do frete. A Amazon nada mais é que uma agregadora de diversos fornecedores, mas deixa isso bem claro.

A Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav Nacional) reforça o discurso de Inês. O presidente, Geraldo Rocha, por sua vez, pede que os agentes tenham mais cuidado com seus fornecedores. Segundo ele, é necessário que os profissionais se informem cada vez mais sobre cada parceiro, uma vez que "os problemas sempre estouram na agência", e a precaução é a melhor forma de não correr riscos.

Ainda sob voz da Abav Nacional, o consultor jurídico da entidade, Marcelo Oliveira, acredita que o momento não é de definir vilões no mercado, mas também endossa o pedido da Unav por transparência.

"Até que exista uma esfera reguladora que nos diga o que pode e o que não pode, a figura da agência consolidadora não vai poder ser classificada. Por isso, quanto mais transparente for a atuação desse ramo, mais seguros os agentes estarão de negociar", afirmou Oliveira. "Em situações em que exista a falta de transparência, já enxergo riscos", concluiu.

Vale lembrar que para a Justiça e os órgãos de defesa do consumidor o estabelecimento onde o cliente fez a compra (no caso a agência ou operadora ou OTA) é co-responsável por qualquer problema com a viagem. Alguns deles nada têm a ver com o serviço de agenciamento e a Justiça, em certos casos, consegue ver isso. Em outros, como a compra de uma consolidadora escolhida pela agência, não há como fugir da responsabilidade.

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QUEM PAGA A CONTA?

Assim como no caso da Intercontinental, os negócios envolvidos serão decididos com acordos ou na Justiça. O problema, porém, são as soluções imediatas, destacadas pela líder da Unav. "Quando um bilhete é cancelado ou algo do tipo, é o agente quem precisa solucionar isso rápido. O passageiro não se importa com qual consolidadora a agência compra, mas sim se vai embarcar", afirmou.

Em repercussão à série de reportagens, o agente Vitor Wallerius, da Viaje Fácil, expôs sua opinião – você também pode deixar seu comentário na área de discussão, no fim da matéria. Segundo ele, a venda direta por parte das companhias aéreas e a 'briga' por preços cada vez menores fazem com que, novamente, a agência seja a maior prejudicada.

"Os clientes brasileiros compram por preço, e a concorrência das aéreas é desleal. Elas vendem bilhetes ao cliente final pelo mesmo valor que vendem aos repassadores (consolidadoras), que também precisam ganhar. Isso tirou muita renda dos caixas das agências", afirmou Wallerius.

DE OLHO NOS RISCOS

Os líderes das entidades consultadas pela PANROTAS afirmam que, caso ofertados por uma subconsolidadora, não fariam negócios com suas agências. Rocha, com a GR Turismo, e Inês, com a Stanfer, acreditam que o risco de ser lesado por um segundo intermediário, dispensável aos olhos deles, não vale a pena mesmo com tarifas mais baixas ou um atendimento melhor.

"Eu não compraria de um subconsolidador. Em um ramo onde as margens são tão pequenas, como ele vai ganhar? Se ele não tem um acordo direto com a aérea, algo lhe falta. Esse 'algo' pode representar algo perigoso", disse o presidente da Abav Nacional ao comentar o caso.

Já Inês acredita que agentes compram de consolidadoras menores em busca de um atendimento diferenciado ou até um incentivo melhor. Porém, não seria tão simples se as empresas que subconsolidam deixassem claro que suas emissões não são diretas. "Eu duvido que alguma agência aceitaria comprar de uma subconsolidadora se soubesse", concluiu a líder da Unav.

E você? O que acha?

A série Consolidadoras em Debate continua amanhã (19) com a última reportagem, dessa vez analisando os números da consolidação e as perspectivas para o futuro do ramo.
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