Cruzeiros divulgam protocolos para retorno este ano nos EUA e Caribe

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Filip Calixto
A presidente e CEO da Clia, Kelly Craighead, o presidente da Clia Brasil, Marco Ferraz, e a chair Brasil, Estela Farina
A presidente e CEO da Clia, Kelly Craighead, o presidente da Clia Brasil, Marco Ferraz, e a chair Brasil, Estela Farina
A Associação Internacional de Companhias Marítimas (Cruise Lines International Association – Clia), que representa 95% da oferta global de cruzeiros marítimos, anunciou nesta segunda-feira a adoção de elementos centrais obrigatórios dentro de um pacote completo de protocolos a serem implementados na retomada controladas das operações.

Segundo a entidade, depois da volta dos cruzeiros na Europa, seguindo rígidos protocolos, o próximo passo crucial nessa retomada será o retorno das operações no Caribe, México e América Central, região que concentra o maior mercado de cruzeiros do mundo, devido à proximidade com o mercado emissor americano.

O protocolo adotado pela Clia tem como base o trabalho de algumas de suas associadas, como o painel Healthy Sail, da Royal Caribbean e NCL, divulgado hoje, o Blue Ribbon, da MSC, e os protocolos adotados pela Carnival Corporation. Também foram levadas em consideração as ações de sucesso tomadas na Europa por empresas como MSC, Costa, Tui Cruises, Ponant, Seadream, entre outras.

O board da Clia aprovou os protocolos essenciais para serem adotados na volta das operações (ainda de forma limitada) nas Américas, bem como nos portos americanos.

“Guiada por especialistas mundiais em medicina e ciência, a Clia e seus membros desenharam um caminho para apoiar a volta controlada e em fases do serviço de passageiros no Caribe, México e América Central, com protocolos que promovem a saúde e segurança dos passageiros, tripulantes e das comunidades visitadas (pelos navios). Os elementos centrais espelham o sucesso da retomada dos cruzeiros em outras partes do mundo e incluem testagem de 100% dos passageiros e tripulantes antes do embarque – um ineditismo na indústria de viagens. Os primeiros cruzeiros navegariam por itinerários modificados e com os protocolos rígidos que englobem toda a experiência da viagem, das reservas ao desembarque. Com o apoio e a aprovação dos reguladores e dos destinos, os cruzeiros poderiam retornar de forma viável ainda em 2020”, disse a Clia em uma declaração oficial sobre os novos protocolos.


Divulgação
Os principais destaques dos elementos-chave nos protocolos da Clia são:


TESTAGEM: 100% dos passageiros e tripulantes devem ser testados para a covid-19 antes do embarque.

USO OBRIGATÓRIO DE MÁSCARA: Todos os passageiros e tripulantes devem usar máscara a bordo e durante excursões, sempre que o distanciamento físico não puder ser mantido.

DISTANCIAMENTO: O distanciamento físico nos terminais, a bordo e nas ilhas privativas e excursões deve ser respeitado.

VENTILAÇÃO: Aplicar estratégias de gerenciamento de ar e ventilação para aumentar o ar fresco a bordo e, quando viável, usar filtros e outras tecnologias para diminuir riscos.

CAPACIDADE MÉDICA: Planos emergenciais de resposta para que cada navio gerencie suas necessidades médicas, com cabines alocadas para o isolamento e outras medidas operacionais e acordos prévios com empresas privadas em terra para quarentena, internações e transporte.

EXCURSÕES: Permitir apenas excursões de acordo com os protocolos do operador do cruzeiro, com aderência obrigatória de todos os passageiros e proibição de embarque para quem não seguir as regras.

Esses protocolos e recomendações não excluem as medidas individuais de cada companhia, mas devem ser verificados, por escrito, pelo CEO de cada empresa.

Para a presidente e CEO da Clia, Kelly Craighead, esses protocolos e a experiência europeia no retorno das viagens marítimas mostram o caminho para a volta das operações, com limitações, nos Estados Unidos e Caribe ainda este ano.

Filip Calixto
Kelly Craighead
Kelly Craighead

REPERCUSSÃO
A primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, destacou a importância dos cruzeiros para a economia das nações caribenhas e ressaltou a medida de testagem de 100% dos passageiros e tripulantes como algo único em todo o mundo. “Isso adiciona uma camada de confiança à medida em que continuamos a trabalhar juntos para desenvolver protocolos e orientações para que recebamos de volta, com segurança, os cruzeiros em nossa região”, disse.

O governador de Utah, Mike Leavitt, co-chair do Healthy Sail Panel e ex-secretário americano de Saúde e Serviços Humanos, comentou que essas medidas são um passo necessário e que ao abraçarem esses protocolos as companhias marítimas oferecem um caminho claro para o retorno das operações de forma a proteger a saúde de hóspedes, tripulantes e moradores dos destinos.

O prefeito de Miami-Dade, Carlos Gimenez, destacou a liderança da indústria de cruzeiros e seu comprometimento com a saúde pública no setor de Viagens e Turismo. Com isso, ele acredita em uma retomada lenta e gradual nos próximos meses.

Já o professor de Higiene e Epidemiologia na Universidade de Thessaly, Christos Hadjichristodoulou, afirmou que os procedimentos estão definidos e que se forem seguidos rigorosamente, os riscos serão minimizados. Para ele, a indústria de cruzeiros foi além do que ele viu em outros setores.

Presidente e CEO do WTTC, Gloria Guevara disse que “enquanto o setor de Viagens e Turismo continua sua luta pela sobrevivência, a indústria de cruzeiros está provando a importância da testagem como uma ferramenta efetiva para a retomada das viagens”. “Um programa de testagem é chave para a recuperação e os cruzeiros estão liderando e dando o exemplo, ao testarem todos os passageiros e tripulantes antes do embarque”, acrescentou, enfatizando o nível de detalhes que as companhias têm dado a seus protocolos.

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A INDÚSTRIA

De acordo com o mais recente estudo da Clia, a atividade dos cruzeiros marítimos nos Estados Unidos apoia a manutenção de 420 mil empregos e gera anualmente US$ 53 bilhões para o país. Cada dia de suspensão de operações das viagens marítimas resulta na perda de US$ 110 milhões para a economia e 800 empregos diretos e indiretos. Os Estados americanos que mais dependem dos cruzeiros são a Flórida, Texas, Alasca, Washington, Nova York e Califórnia.

Os cruzeiros estão suspensos nos Estados Unidos até 31 de outubro de 2020.
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