Clia avalia com autoridades volta dos cruzeiros com novos protocolos

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Em nove dias, a Anvisa divulgou que quase 800 casos de covid-19 foram confirmados a bordo de navios em operação em águas do Brasil. A variante ômicron vem se espalhando rapidamente pelo mundo todo e, diante do cenário atual, a temporada brasileira 2021/2022 foi temporariamente suspensa até o próximo dia 21, em decisão voluntária das companhias marítimas Costa Cruzeiros e MSC Cruzeiros.

PANROTAS / Emerson Souza
Marco Ferraz, presidente da Clia Brasil
Marco Ferraz, presidente da Clia Brasil
“Não podemos diminuir esses números. São fato. No entanto, temos um total de aproximadamente 130 mil pessoas que ficaram a bordo desde o início da temporada, contando com os tripulantes. Isso significa que menos de 1% testou positivo. Mas temos de trabalhar, junto às autoridades, para ter menos casos. É importante dizer que nenhum infectado ocupou uma cama de hospital nem a bordo, nem em terra. Essa parada foi importante para refletir sobre tudo isso com os órgãos competentes, aos quais já estamos nos reunindo”, afirma o presidente da Clia Brasil, Marco Ferraz, em entrevista ao Portal PANROTAS.

Ferraz reforça que a prioridade do setor para o possível retorno em um pouco mais de duas semanas é ter sempre em primeiro lugar a segurança dos hóspedes e tripulantes, além dos trabalhadores e moradores das cidades. Sem deixar de lado o compliance, pois as regras precisam ser seguidas.

O presidente da entidade informa que, durante esta pausa, os cinco navios ficarão atracados no porto de Santos (SP), com os tripulantes a bordo, que passarão por mais testes. Em todas as embarcações será feita uma desinfecção e limpeza profunda para prepará-las para retornar, se possível. Se não for, elas voltam para a Europa e retornam ao Brasil no final do ano.

PROTOCOLOS
Uma dúvida que paira sobre esta situação são possíveis mudanças nos protocolos. Há uma sugestão de testar todos os passageiros no porto antes do embarque, assim como todos os tripulantes, dia sim, dia não. Ferraz diz que, com as reuniões, este é o ponto que a entidade aguarda.

“A Anvisa é a responsável pelos protocolos e deve estar fazendo estudos internos. A portaria que liberou os navios compartilhava as responsabilidades. Neste plano, cada cidade tem seu protocolo, assim como decidem com restaurantes, transporte etc. Por isso, precisamos aguardar o que será discutido. Com esse aumento de casos, é importante rediscutir e entender se conseguimos voltar a operar ou não. A mensagem é que temos de ser sempre otimistas e que queremos, sim, retomar.”

BALANÇO
Sabe-se que viajar em um cruzeiro, enquanto a covid-19 e suas variantes ainda estão vigentes, é um risco, mesmo que as pessoas estejam completamente vacinadas. Afinal, a pandemia ainda não acabou. No entanto, com os rígidos protocolos aplicados na temporada, navegar é possível e contribui para o Turismo, assim como para a economia do País.

A temporada atual, que começou em novembro de 2021, tem previsão de movimentar mais de 360 mil turistas, com impacto de R$ 1,7 bilhão, além da geração de 24 mil empregos, envolvendo uma cadeia extensa de setores da economia, entre eles comércio, alimentação, transportes, hospedagem, serviços turísticos, agenciamento, receptivos e combustíveis.

“Além disso, estamos acompanhando o que está acontecendo fora do Brasil. Operações continuam no Caribe, EUA e Europa, por exemplo, e os números também aumentaram. Mas estamos sempre seguindo a prioridade da saúde e da segurança. Provavelmente as autoridades brasileiras estão fazendo contato com as de fora para ver os exemplos e aplicar aqui, se for o caso, ou levar novos exemplos para eles”, pontua.

Para Ferraz, é difícil dizer como esses problemas afetam a temporada 2022/2023, mas ele diz acreditar que nada será alterado. São oito navios confirmados e, por enquanto, está tudo mantido. “Vamos torcer para que a gente consiga conviver com esta doença assim como convivemos com os diferentes tipos de gripe”.

O presidente da Clia Brasil ainda dá um exemplo da segurança do navio. Se fosse um país, ele teria o maior índice de vacinação, assim como de testes para detectar o novo coronavírus. É um local que tem todos os atributos de segurança – como vacina, testagem, distanciamento, menor ocupação e uso de máscaras – para continuar operando.

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