Pedro Menezes   |   13/02/2026 08:19

Itália promulga lei que centraliza pedidos de reconhecimento da cidadania em Roma

Nova regra tira pedidos dos consulados e centraliza os processos administrativos num único Serviço Central


Divulgação/Nostrali
Haverá um período de transição até 1º de janeiro de 2029, quando o novo Serviço Central do MAECI (Ministério das Relações Exteriores) passará a atuar de forma plena
Haverá um período de transição até 1º de janeiro de 2029, quando o novo Serviço Central do MAECI (Ministério das Relações Exteriores) passará a atuar de forma plena

O governo italiano promulgou a Lei nº 11 de 2026, que centraliza pedidos de reconhecimento da cidadania italiana em Roma. A medida entra em vigor no dia 19 de fevereiro de 2026 e provoca mudanças no trâmite para o reconhecimento da cidadania italiana para maiores de idade, residentes no Exterior, na inscrição AIRE (Cadastro dos Italianos Residentes no Exterior) e na emissão de passaportes.

Com isso, a partir de 1º de Janeiro de 2029, pedidos de reconhecimento de cidadania italiana para maiores de idade residentes no Exterior serão centralizados em um novo órgão do Ministério das Relações Exteriores e Cooperação Internacional, sediado em Roma.

  • Os pedidos deverão ser feitos exclusivamente pelo correio, com envio da documentação original em papel e do comprovante de pagamento das taxas previstas.
  • O prazo para análise da cidadania passa de 24 para 36 meses.
  • Na transição, os consulados só poderão receber a mesma quantidade de pedidos que conseguiram concluir no ano anterior, com um mínimo de 100 por sede.
  • Da mesma forma, nos dois primeiros anos (2029 e 2030), o novo órgão poderá receber um número limitado de pedidos, com base no total de pedidos feitos em consulados no ano anterior à entrada em vigor da lei.
  • A comunicação entre o descendente e o órgão será apenas por e-mail.

Transferência dos consulados para novo órgão será progressiva

Haverá um período de transição até 1º de janeiro de 2029, quando o novo Serviço Central do MAECI (Ministério das Relações Exteriores) passará a atuar de forma plena. Esse período servirá para a implementação organizacional da nova estrutura e a definição dos regulamentos operacionais.

O objetivo é que, aos poucos, os Consulados passem a atuar somente com o reconhecimento da cidadania italiana por descendência de menores de idade, assistência aos requerentes e verificação preliminar da documentação. A coordenação, recebimento e as decisões para o reconhecimento da cidadania de pessoas residentes no exterior ficarão sob a tutela exclusiva do novo órgão, em Roma.

Para conseguir atender aos ítalo-descendentes, o governo já liberou a contratação de funcionários. Também foi autorizada despesas orçamentárias específicas para a implementação do novo escritório centralizado. O MAECI ainda poderá terceirizar serviços de envio, recepção, digitalização e arquivamento de documentos.

“A cada ano, o governo italiano segue a tendência mundial e aumenta a burocracia para o reconhecimento da dupla cidadania. O governo italiano afirma que o objetivo da reforma na legislação é reduzir a fragmentação das práticas administrativas entre diferentes sedes consulares. Contudo, a nova legislação não só deixa o processo ainda mais lento, aumentando o prazo de 24 para 36 meses, mas também dificulta o reconhecimento”

Jurista italiano David Manzini, CEO e fundador da Nostrali Cidadania Italiana

Apesar do governo italiano informar que fará investimentos e ampliará o quadro de funcionários para atender a demanda, o risco de que surjam novos gargalos no processo é alto. “A exigência do envio dos documentos em formato físico é um retrocesso”, denuncia Manzini. “O risco do extravio de certidões originais durante o transporte internacional é elevado”, alerta.

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.