EES: filas seguem no verão e chegam a duas horas nos aeroportos da Europa
EES exige registro biométrico de viajantes de fora da União Europeia e afeta aeroportos em todo continente

O novo sistema de controle de fronteiras da Europa, conhecido como Entry/Exit System (EES) e lançado em outubro de 2025, segue provocando filas de até duas horas nos principais aeroportos do continente em meio ainda a alta temporada de verão e durante os períodos de maior movimento.
Dados divulgados pelo Financial Times revelaram que o tempo de espera em alguns dos principais hubs europeus chegou a dobrar em relação ao verão de 2025. Em alguns casos, registrados em meados de julho, pico do verão europeu, as filas chegavam até a cinco horas de espera.
Em Frankfurt, na Alemanha, o tempo médio de espera nos períodos de pico alcançou 120 minutos em julho, contra 60 minutos registrados no mesmo mês do ano passado. Em Amsterdã, na Holanda, o tempo máximo subiu de 80 para 120 minutos, enquanto no aeroporto de Munique passou de 31 para 60 minutos.
O cenário é válido apenas passageiros de países que não fazem parte da União Europeia, incluindo brasileiros, já que o EES passou a operar integralmente em 10 de abril e substituiu os tradicionais carimbos nos passaportes por um sistema digital de registro das entradas e saídas do Espaço Schengen.
Na prática, viajantes de fora da União Europeia precisam apresentar passaporte, realizar fotografia facial e registrar impressões digitais. Na primeira vez, o procedimento é mais demorado, mas passageiros também relatam a necessidade de repetir a coleta biométrica em viagens posteriores por causa de falhas no sistema.
Além do aumento no tempo de espera, um dos principais problemas apontados pelas autoridades e pelo setor de viagens é a imprevisibilidade do processo. Os períodos de pico podem resultar em filas de até duas horas, enquanto em horários de menor movimento o procedimento pode ser bem mais rápido.
O problema tem sido agravado por falhas nos quiosques de autoatendimento instalados nos aeroportos. Muitos passageiros também precisam de auxílio dos funcionários para concluir o registro, aumentando o tempo necessário para processar cada viajante.
Para o passageiro brasileiro que pretende viajar à Europa, o principal efeito do EES é a necessidade de reservar mais tempo para os procedimentos de imigração, principalmente na primeira entrada após a implantação do sistema. A recomendação prática é evitar conexões muito apertadas em aeroportos que estejam registrando maior pressão no controle de fronteiras.
Aeroportos desligam parte do sistema

Para reduzir o impacto durante horários de maior movimento, alguns aeroportos passaram a suspender determinadas etapas do EES. Em alguns casos, a coleta de impressões digitais foi interrompida nos períodos de pico, com os passageiros submetidos novamente ao carimbo do passaporte.
A medida, no entanto, tem caráter temporário. A autorização para flexibilizar algumas etapas deve terminar em setembro, o que levou oito países da União Europeia e a Suíça a pedirem à Comissão Europeia uma extensão da medida. A Comissão inclusive informou que está avaliando a possibilidade de manter a flexibilização em determinados pontos de fronteira após o verão europeu.
O uso de procedimentos alternativos também cria outro problema: ao reduzir temporariamente a aplicação do EES nos horários de maior movimento, os aeroportos podem apresentar tempos de espera menores nas estatísticas oficiais, dificultando uma avaliação precisa do desempenho do novo sistema.