Pedro Menezes   |   22/07/2026 10:21

EES: novo sistema de fronteiras já provoca fila de até cinco horas em aeroportos europeus

Passageiros de fora da União Europeia enfrentam filas que normalmente variam entre duas e quatro horas

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EES exige que viajantes de países de fora da União Europeia registrem impressões digitais e foto na primeira entrada no Espaço Schengen
EES exige que viajantes de países de fora da União Europeia registrem impressões digitais e foto na primeira entrada no Espaço Schengen

O novo sistema digital de controle de fronteiras da União Europeia (EES), que chegou com objetivo de reforçar a segurança e modernizar o controle migratório, continua provocando longas filas e aumentando o tempo de espera em aeroportos do continente no pico do verão.

Implementado de forma gradual desde outubro do ano passado, o EES exige que viajantes de países de fora da União Europeia registrem impressões digitais e foto na primeira entrada no Espaço Schengen. Os dados são conferidos novamente na saída.

Em Roma, viajantes relatam filas de até duas horas após o desembarque, mesmo após o aeroporto ter investido cerca de 12 milhões de euros em equipamentos de autoatendimento. Segundo o diretor de Aviação do Aeroporto de Roma-Fiumicino, Ivan Bassato, o processo passou de uma média de sete para 20 minutos na imigração, praticamente triplicando o tempo de passagem pelo controle de passaportes.

Portugal também enfrenta desafios. No Aeroporto de Faro, o superintendente Pedro Oliveira afirmou que filas que antes levavam cerca de dez minutos agora podem ultrapassar 30 minutos. Segundo ele, problemas técnicos ainda ocorrem devido à dependência dos servidores centrais do sistema europeu. O país inclusive já reforçou o número de agentes de fronteira para reduzir os impactos da implantação.

Atrasos vão muito além de Itália e Portugal

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Setor aéreo pressiona a União Europeia para flexibilizar temporariamente a aplicação do sistema nos períodos de maior demanda
Setor aéreo pressiona a União Europeia para flexibilizar temporariamente a aplicação do sistema nos períodos de maior demanda

Os atrasos, porém, estão longe de ser um problema restrito à Itália e Portugal. Os principais aeroportos da Europa registram dificuldades desde que o EES entrou em operação plena em abril deste ano.

No Charles de Gaulle, em Paris, passageiros de fora da União Europeia enfrentam filas que normalmente variam entre duas e quatro horas, enquanto Amsterdã-Schiphol e Frankfurt registram esperas de até três horas nos horários de maior movimento. Em Bruxelas, Genebra, Alicante, Palma de Mallorca e Tenerife, os picos já chegaram a cinco horas durante o verão europeu.

O setor aéreo pressiona a União Europeia para flexibilizar temporariamente a aplicação do sistema nos períodos de maior demanda, permitindo que os países suspendam parte da coleta biométrica para reduzir as filas. A Comissão Europeia, no entanto, rejeitou o pedido e considera que os atrasos estão concentrados em um número limitado de aeroportos, defendendo que as soluções sejam implementadas localmente.

Diante desse cenário, companhias aéreas recomendam que passageiros internacionais cheguem aos aeroportos entre três e quatro horas antes do voo, especialmente quando realizarem a primeira entrada no Espaço Schengen após a implantação do EES. A tendência é que as viagens seguintes sejam mais rápidas, já que o sistema reutiliza os dados biométricos cadastrados anteriormente e exige apenas a verificação facial.

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.