Laura Enchioglo   |   01/07/2026 11:34

Conselho Nacional de Justiça lança ferramenta para enfrentar judicialização no setor aéreo

Objetivo do Atalaia é ajudar juízes a detectar ações repetitivas ou fraudulentas


Divulgação/RIOgaleão
Além de elevar os custos das companhias, a indústria da judicialização inibe novos investimentos e novos players no mercado brasileiro, prejudicando os próprios passageiros
Além de elevar os custos das companhias, a indústria da judicialização inibe novos investimentos e novos players no mercado brasileiro, prejudicando os próprios passageiros

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) lançou nesta terça-feira (30), em Brasília, o Sistema Nacional de Litigância Abusiva (Atalaia), desenvolvido para identificar e monitorar demandas predatórias em tribunais de justiça de todo País por meio de inteligência artificial.

A ferramenta analisa processos e identifica padrões anômalos de litigância abusiva. O objetivo do Atalaia é ajudar juízes a detectar ações repetitivas ou fraudulentas que sobrecarregam o sistema judicial, atrasando o andamento de processos legítimos e aumentando os custos.

LEIA TAMBÉM: Brasil concentra 95% dos processos judiciais contra companhias aéreas

O combate à litigância abusiva interessa à sociedade em geral e aos mais variados setores da economia brasileira. A ferramenta foi desenvolvida a partir de um acordo de cooperação técnica que envolveu a sociedade, empresas públicas e privadas e oito entidades empresariais de diversos setores, como financeiro, imobiliário, de tecnologia digital, saúde suplementar e das empresas aéreas.

Na solenidade, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e do CNJ, ministro Edson Fachin, disse que o Atalaia “vai possibilitar a distinção entre o litígio genuíno e o litígio que asfixia a Justiça”.

Hoje, ele lembrou, há 75 milhões de processos em curso em todas as instâncias da Justiça. É como se um em cada três brasileiros fosse autor de um processo. “Isso não pode ser normalizado. É preciso mapear os litigantes contumazes e as práticas de assédio processual”, afirmou.

PANROTAS / Emerson Souza
Juliano Noman, presidente da Abear, uma das entidades signatárias do acordo de cooperação técnica para realização do Atalaia
Juliano Noman, presidente da Abear, uma das entidades signatárias do acordo de cooperação técnica para realização do Atalaia

Para Juliano Noman, presidente da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), uma das entidades signatárias do acordo de cooperação técnica, o sistema Atalaia é uma iniciativa relevante no enfrentamento da judicialização abusiva no setor aéreo. Noman ressaltou que o Brasil concentra 95% dos processos judiciais movidos contra companhias aéreas em todo o mundo. “Esse volume de ações não reflete a qualidade do serviço prestado pelas empresas brasileiras, que estão entre as mais pontuais e seguras do mundo.”

Noman acrescentou que, além de elevar os custos das companhias, a indústria da judicialização inibe novos investimentos e novos players no mercado brasileiro, prejudicando os próprios passageiros. “Por isso, é fundamental reconhecer o trabalho desenvolvido sob a liderança do CNJ para enfrentar esse cenário”, acrescentou o presidente da Abear.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero, Laura Enchioglo é repórter na PANROTAS, onde entrou como estagiária em 2023. Tem experiência em assessoria de imprensa e na cobertura de economia e finanças.