Artur Luiz Andrade   |   18/04/2026 16:47
Atualizada em 18/04/2026 17:06

Sem acrescentar fatos novos, Ugart volta a comentar, em nota oficial, caso MB Operadora

Empresa associada à Ugart suspendeu operações e deixou prejuízo de cerca de R$ 10 milhões

Reprodução Site
No site da Ugart, ainda consta Fabiani Angeli como vice-presidente
No site da Ugart, ainda consta Fabiani Angeli como vice-presidente

O caso da MB Operadora, do Rio Grande do Sul, continua com debates aquecidos nas redes sociais, envolvendo desde a confiança que os agentes de viagens tiveram na empresa até a ligação com a Ugart, da qual a empresa era associada e sua dona, a empresária Fabiani Angeli, vice-presidente (até janeiro era a presidente). Em seu primeiro posicionamento, a união de operadoras, que reúne 11 empresas e realiza um evento anual em Porto Alegre, se disse pega de surpresa com os problemas na MB, dirigida por sua vice-presidente.

Neste sábado, diante da repercussão do caso e de relatos de problemas já em fevereiro, a Ugart voltou a procurar a PANROTAS, para um novo posicionamento, que não acrescentou fatos novos ao problema. Dias antes de anunciar suspensão de atividades, a MB Operadora estava expondo na Feira da Ugart. Atendendo os agentes de viagens presentes. A feira reuniu 7 mil visitantes, em 9 e 10 de abril, ou seja, no final da semana passada, com a presença da MB Operadora.

A entidade volta a dizer, na nota, que “não detém atribuição legal ou estatutária de fiscalização sobre as atividades comerciais de suas associadas, inexistindo, portanto, poder de ingerência na gestão empresarial destas”. Um poder que ninguém pediu que a associação tivesse. Mas dentro de seu escopo, por ter uma grife que convoca agentes de viagens para um evento, o que caberia à Ugart fazer?

Segundo a associação, “tão logo tomou conhecimento de relatos envolvendo o alegado descumprimento de obrigações por parte da empresa MB Operadora perante clientes, agências, fornecedores e terceiros, a UGART promoveu contato imediato com seus gestores, circunstância que culminou no desligamento da referida empresa do quadro associativo.” A entidade, no entanto, não cita datas ou divulga a carta de desligamento da MB Operadora, nem cita que era sua vice-presidente e past-president.

A informação também contradiz o comunicado anterior da Ugart que dizia: “A título de esclarecimento, informa-se que a MB Operadora e sua gestora formalizaram solicitação de retirada desta entidade, a qual foi devidamente acolhida pela UGART.” Ou seja, o desligamento teria partido da vice-presidente da Ugart e dona da MB Operadora, Fabiani Angeli.

Ninguém está culpabilizando a entidade pela má gestão de sua associada, mas o caso levanta mais uma vez a questão: para que servem as entidades de Turismo? Somente para realizar eventos?

A Abav-RS colocou seu departamento jurídico à disposição. E foi só o que ouvimos das associações.

"O papel do sistema ABAV é atuar na defesa institucional das agências de turismo, oferecendo interlocução junto aos órgãos públicos, suportando e orientando seus associados sobre as melhores práticas do mercado, além de apoio consultivo, sempre promovendo capacitação e o desenvolvimento do setor. A ABAV- RS e a ABAV Nacional reiteram seu compromisso com a transparência, a ética e a valorização das agências de viagens. As associações seguirão acompanhando de perto o caso, mobilizadas para dar todo o apoio necessário", disse a Abav Nacional em comunicado.

Mas onde estão os projetos para um seguro ou um fundo garantidor? Ou qualquer outra solução. Com certeza, vai haver um debate novo, que durará alguns meses... Bem menos que o debate gerado pelo caso ViagensPromo, já que agora o foco está no Sul, e muitos comentários nas redes sociais limitam-se a dizer que “não conheciam a referida operadora”. Mas uma guerra longe de nós pode sim atingir a todos, como está provado com o atual conflito no Irã.

Sim, o agente de viagens pode desconfiar de descontos muito altos, pesquisar com fornecedores sobre dívidas ou até monitorar sites como ReclameAqui ou Consumidor.gov.br. Mas a garantia de um reembolso mínimo, como existe com os bancos quando quebram, ainda não é realidade para nosso setor. Já há modelos que podem ser copiados em outros países, como Canadá e Reino Unido. O próprio assessor jurídico da Abav Nacional, Marcelo Oliveira, se debruça sobre o tema e já expôs as possibilidades em diversos eventos, como o da AbavSP Aviesp. Leia aqui uma dessas participações, onde fica claro que, com a lei atual, o agente de viagens é solidário em processos e no prejuízo do cliente.

Enquanto isso, fiquem com a nova nota enviada pela Ugart – União Gaúcha das Operadoras e Representantes de Turismo do Rio Grande do Sul.

Divulgação

“Nota de posicionamento

A União Gaúcha das Operadoras e Representantes de Turismo do Rio Grande do Sul (UGART) é uma entidade sem fins lucrativos com mais de 35 anos de trajetória. A associação trabalha de forma idônea reunindo empresas operadoras de turismo, promovendo o intercâmbio de experiências entre as 11 empresas associadas e fortalecendo o ecossistema do trade turístico do Estado.

Ressalta-se que a UGART não detém atribuição legal ou estatutária de fiscalização sobre as atividades comerciais de suas associadas, inexistindo, portanto, poder de ingerência na gestão empresarial destas. Compete exclusivamente a cada operadora a condução de sua administração financeira, o adimplemento das obrigações assumidas e a adequada prestação dos serviços contratados junto às agências de viagens e demais parceiros comerciais.

Tão logo tomou conhecimento de relatos envolvendo o alegado descumprimento de obrigações por parte da empresa MB Operadora perante clientes, agências, fornecedores e terceiros, a UGART promoveu contato imediato com seus gestores, circunstância que culminou no desligamento da referida empresa do quadro associativo.

Adicionalmente, informa-se que algumas das operadoras associadas, de forma voluntária e sem qualquer imposição institucional, vêm oferecendo apoio às agências de turismo eventualmente prejudicadas, inclusive mediante a prestação de serviços a preço de custo, com o objetivo de mitigar os impactos decorrentes da situação noticiada e assegurar a continuidade das atividades dessas empresas.

Por fim, a UGART reafirma seu compromisso com o desenvolvimento ético e transparente do mercado de turismo no Estado do Rio Grande do Sul, colocando-se à disposição dos órgãos competentes para prestar todos os esclarecimentos que se fizerem necessários acerca de suas atividades institucionais, em observância aos princípios que norteiam sua atuação ao longo de mais de três décadas.

UGART”



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Sobre o autor

Artur Luiz Andrade é editor-chefe da PANROTAS, jornalista formado pela UFRJ e especializado em Turismo há mais de 30 anos.