Rodrigo Vieira   |   20/04/2026 15:54
Atualizada em 20/04/2026 16:05

Ugart responde sobre caso MB Operadora, mas agentes apontam contradições

Entidade admite ter recebido alertas antes da feira, mas diz que casos foram solucionados

Divulgação

O caso da MB Operadora, que suspendeu suas atividades na última semana e deixou um rastro de prejuízos no mercado gaúcho, segue gerando desdobramentos e questionamentos sobre o papel das entidades representativas do Turismo. Após a repercussão inicial, o Portal PANROTAS enviou uma série de perguntas ao presidente Richard Abbade, da União Gaúcha dos Operadores e Representantes de Turismo (Ugart), entidade da qual a sócia da MB, Fabiani Angeli, foi presidente até janeiro e segue como vice-presidente.

Vindas por meio da assessoria de imprensa, as respostas da Ugart, no entanto, abriram espaço para novas contestações por parte dos agentes de viagens afetados. A reportagem continua recebendo denúncias de profissionais do Rio Grande do Sul, e estima-se que mais de 100 agências de viagens gaúchas tenham compras futuras com a MB Operadora. O sinal de alerta também acendeu entre os fornecedores: a reportagem conversou com um consolidador que possui bloqueios futuros com a operadora e que já acompanha a situação com extrema preocupação.

Reprodução Site
Site da Ugart mostra Fabiani Angeli como vice-presidente da entidade
Site da Ugart mostra Fabiani Angeli como vice-presidente da entidade


As respostas da Ugart

  • Questionada sobre o fato de ter dado destaque a Fabiani Angeli na feira da entidade, realizada na semana passada, mesmo após agentes afirmarem ter alertado a Ugart sobre problemas com a MB em fevereiro, a associação respondeu:
    • "Até o período anterior à feira, havíamos recebido a comunicação de três casos formais relacionados ao tema. Todos foram levados à MB Operadora e devidamente tratados e solucionados pela empresa. Por isso não haviam indícios de alguma irregularidade da atual magnitude naquele momento."
  • Sobre o cargo de vice-presidente ocupado por Fabiani e se a entidade pretende afastá-la, a Ugart não respondeu diretamente sobre a posição na diretoria, limitando-se a dizer:
    • "Tão logo tomou conhecimento de relatos envolvendo o alegado descumprimento de obrigações por parte da empresa MB Operadora perante clientes, agências, fornecedores e terceiros, a UGART promoveu contato imediato com seus gestores, circunstância que culminou no desligamento da referida empresa do quadro associativo."
  • Em relação à responsabilidade da entidade e às medidas concretas para amparar os agentes diante de um prejuízo estimado em mais de R$ 10 milhões, a Ugart destacou seus 35 anos de trajetória e afirmou:
    • "Algumas das operadoras associadas, de forma voluntária e sem qualquer imposição institucional, vêm oferecendo apoio às agências de viagens eventualmente prejudicadas, inclusive mediante a prestação de serviços a preço de custo, com o objetivo de mitigar os impactos decorrentes da situação noticiada e assegurar a continuidade das atividades dessas empresas."
  • Por fim, sobre a diligência financeira e mecanismos de proteção ao agente, a entidade repetiu que:
    • "não detém atribuição legal ou estatutária de fiscalização sobre as atividades comerciais de suas associadas, inexistindo, portanto, poder de ingerência na gestão empresarial destas".

As contradições apontadas pelos agentes sobre a Ugart

As respostas da Ugart foram recebidas com indignação por agentes de viagens que amargam prejuízos com a suspensão das atividades da MB Operadora.

  • Casos não foram solucionados
    • A Ugart afirma que os três casos formais recebidos antes da feira foram "devidamente tratados e solucionados". Agentes rebatem essa afirmação. Segundo os relatos, o que houve em alguns casos foi apenas a devolução de comissões, mas o problema central, os vouchers das viagens pendentes, nunca foi resolvido. "Se tivessem sido solucionadas, eu não estaria pagando agora para os passageiros de Curaçao e Itália", desabafa uma agente. Outro relato menciona uma agência cujos passageiros não embarcaram e não receberam reembolso. Para os agentes, a Ugart limitou-se a acreditar na promessa da operadora, sem exigir a comprovação da emissão dos vouchers.
  • Omissão sobre o cargo de vice-presidente

A Ugart ignorou a pergunta sobre o afastamento de Fabiani Angeli da vice-presidência. Os agentes questionam a falta de transparência: "Onde está a carta de desligamento da Fabi? Somente na quinta passada, após estourar o rombo, é que dizem que desligaram. Na feira, ela estava como vice", aponta um profissional. O mercado cobra um posicionamento claro sobre a permanência ou não da empresária na diretoria da entidade.

  • Apoio não partiu da entidade

Sobre o apoio oferecido a preço de custo, os agentes esclarecem que as operadoras que estão ajudando são parceiras comerciais das próprias agências, e não necessariamente associadas agindo em nome da Ugart. "A Ugart não fez nada efetivo até o momento como entidade para minimizar os prejuízos", critica um agente, sugerindo que a associação poderia utilizar recursos arrecadados na feira para auxiliar no rombo.

  • "Obrigações morais"

A defesa da Ugart baseada na ausência de atribuição legal de fiscalização é vista como insuficiente pelos agentes. O argumento do mercado é de ordem ética: "Podem não ter obrigações jurídicas, porém, perante a magnitude e missão da entidade, deveriam ter a obrigação moral de certificar que a diretoria é idônea e cumpre com suas obrigações", argumenta um profissional. A lógica é simples: se o agente de viagens é solidário com a operadora que escolhe, a entidade deveria ser solidária com quem escolhe colocar no palanque e promover com cargo de confiança.

O Portal PANROTAS enviou novas contestações à Ugart. Assim que recebermos as respostas da entidade, atualizaremos os fatos.

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Sobre o autor

Rodrigo Vieira é jornalista com 12 anos de especialização na indústria de Turismo, todo esse tempo orgulhosamente na PANROTAS. Sua maior satisfação profissional é quando, por meio de seu trabalho, ajuda um agente de viagens a obter êxito. Conhece 30 países e ama viajar para o Exterior, mas jamais moraria fora do melhor destino de todos, o Brasilzão.