Ugart responde sobre caso MB Operadora, mas agentes apontam contradições
Entidade admite ter recebido alertas antes da feira, mas diz que casos foram solucionados

O caso da MB Operadora, que suspendeu suas atividades na última semana e deixou um rastro de prejuízos no mercado gaúcho, segue gerando desdobramentos e questionamentos sobre o papel das entidades representativas do Turismo. Após a repercussão inicial, o Portal PANROTAS enviou uma série de perguntas ao presidente Richard Abbade, da União Gaúcha dos Operadores e Representantes de Turismo (Ugart), entidade da qual a sócia da MB, Fabiani Angeli, foi presidente até janeiro e segue como vice-presidente.
Vindas por meio da assessoria de imprensa, as respostas da Ugart, no entanto, abriram espaço para novas contestações por parte dos agentes de viagens afetados. A reportagem continua recebendo denúncias de profissionais do Rio Grande do Sul, e estima-se que mais de 100 agências de viagens gaúchas tenham compras futuras com a MB Operadora. O sinal de alerta também acendeu entre os fornecedores: a reportagem conversou com um consolidador que possui bloqueios futuros com a operadora e que já acompanha a situação com extrema preocupação.

As respostas da Ugart
- Questionada sobre o fato de ter dado destaque a Fabiani Angeli na feira da entidade, realizada na semana passada, mesmo após agentes afirmarem ter alertado a Ugart sobre problemas com a MB em fevereiro, a associação respondeu:
- "Até o período anterior à feira, havíamos recebido a comunicação de três casos formais relacionados ao tema. Todos foram levados à MB Operadora e devidamente tratados e solucionados pela empresa. Por isso não haviam indícios de alguma irregularidade da atual magnitude naquele momento."
- Sobre o cargo de vice-presidente ocupado por Fabiani e se a entidade pretende afastá-la, a Ugart não respondeu diretamente sobre a posição na diretoria, limitando-se a dizer:
- "Tão logo tomou conhecimento de relatos envolvendo o alegado descumprimento de obrigações por parte da empresa MB Operadora perante clientes, agências, fornecedores e terceiros, a UGART promoveu contato imediato com seus gestores, circunstância que culminou no desligamento da referida empresa do quadro associativo."
- Em relação à responsabilidade da entidade e às medidas concretas para amparar os agentes diante de um prejuízo estimado em mais de R$ 10 milhões, a Ugart destacou seus 35 anos de trajetória e afirmou:
- "Algumas das operadoras associadas, de forma voluntária e sem qualquer imposição institucional, vêm oferecendo apoio às agências de viagens eventualmente prejudicadas, inclusive mediante a prestação de serviços a preço de custo, com o objetivo de mitigar os impactos decorrentes da situação noticiada e assegurar a continuidade das atividades dessas empresas."
- Por fim, sobre a diligência financeira e mecanismos de proteção ao agente, a entidade repetiu que:
- "não detém atribuição legal ou estatutária de fiscalização sobre as atividades comerciais de suas associadas, inexistindo, portanto, poder de ingerência na gestão empresarial destas".
As contradições apontadas pelos agentes sobre a Ugart
As respostas da Ugart foram recebidas com indignação por agentes de viagens que amargam prejuízos com a suspensão das atividades da MB Operadora.
- Casos não foram solucionados
- A Ugart afirma que os três casos formais recebidos antes da feira foram "devidamente tratados e solucionados". Agentes rebatem essa afirmação. Segundo os relatos, o que houve em alguns casos foi apenas a devolução de comissões, mas o problema central, os vouchers das viagens pendentes, nunca foi resolvido. "Se tivessem sido solucionadas, eu não estaria pagando agora para os passageiros de Curaçao e Itália", desabafa uma agente. Outro relato menciona uma agência cujos passageiros não embarcaram e não receberam reembolso. Para os agentes, a Ugart limitou-se a acreditar na promessa da operadora, sem exigir a comprovação da emissão dos vouchers.
- Omissão sobre o cargo de vice-presidente
A Ugart ignorou a pergunta sobre o afastamento de Fabiani Angeli da vice-presidência. Os agentes questionam a falta de transparência: "Onde está a carta de desligamento da Fabi? Somente na quinta passada, após estourar o rombo, é que dizem que desligaram. Na feira, ela estava como vice", aponta um profissional. O mercado cobra um posicionamento claro sobre a permanência ou não da empresária na diretoria da entidade.
- Apoio não partiu da entidade
Sobre o apoio oferecido a preço de custo, os agentes esclarecem que as operadoras que estão ajudando são parceiras comerciais das próprias agências, e não necessariamente associadas agindo em nome da Ugart. "A Ugart não fez nada efetivo até o momento como entidade para minimizar os prejuízos", critica um agente, sugerindo que a associação poderia utilizar recursos arrecadados na feira para auxiliar no rombo.
- "Obrigações morais"
A defesa da Ugart baseada na ausência de atribuição legal de fiscalização é vista como insuficiente pelos agentes. O argumento do mercado é de ordem ética: "Podem não ter obrigações jurídicas, porém, perante a magnitude e missão da entidade, deveriam ter a obrigação moral de certificar que a diretoria é idônea e cumpre com suas obrigações", argumenta um profissional. A lógica é simples: se o agente de viagens é solidário com a operadora que escolhe, a entidade deveria ser solidária com quem escolhe colocar no palanque e promover com cargo de confiança.
O Portal PANROTAS enviou novas contestações à Ugart. Assim que recebermos as respostas da entidade, atualizaremos os fatos.