Turismo doméstico nos EUA cresce em meio a tensões geopolíticas e custos elevados
Norte-americanos estão optando por viagens domésticas e estadas mais curtas

Uma combinação de tensões geopolíticas, alta no preço dos combustíveis e um cenário econômico incerto está mudando os planos de férias dos norte-americanos. Segundo dados da Global Travel Collection (GTC), divulgado pelo Travel Weekly, as reservas de voos e hotéis dentro dos Estados Unidos cresceram de forma constante no primeiro trimestre de 2026, superando a procura por viagens internacionais.
Segundo o relatório, logo após o agravamento das tensões no Oriente Médio em março, as reservas domésticas saltaram 17%. Para o verão que se aproxima, o volume de reservas de hotéis nos EUA já está 23% acima do registrado no mesmo período do ano passado.
Las Vegas aparece como destaque dessa mudança, com um crescimento de 76% nas vendas em março. Outros destinos como Nashville, San Diego e West Palm Beach também registraram altas próximas de 50%.
Os dados da pesquisa realizada pela YouGov apontam em uma direção semelhante. O relatório revelou que, entre aqueles que planejam férias internacionais nos próximos 12 meses, 28% citaram a segurança como um obstáculo para viajar, um aumento de três pontos percentuais em relação ao mês anterior e de cinco pontos em relação ao ano anterior.
Quando o grupo foi questionado sobre quais destinos estavam considerando, o interesse diminuiu para diversos mercados no Oriente Médio e Norte da África, bem como para alguns destinos na Europa, enquanto mercados como Califórnia e Nova York registraram aumentos.
"Já faz um tempo que não víamos um salto tão grande no crescimento doméstico. Principalmente agora com os preços dos combustíveis, as pessoas estão ficando um pouco mais perto de casa, mas ainda estão viajando e gastando dinheiro, o que é ótimo para o nosso setor"
Presidente da GTC, Angie Licea
Estadas mais curtas
Apesar da alta no Turismo doméstico, o norte-americano está viajando com a calculadora na mão. Segundo Mark Reichle, CEO da Select Registry, a tendência agora é o Turismo de proximidade: destinos a no máximo três horas de carro de casa. "Quando a economia aperta e as passagens aéreas sobem, as pessoas não param de viajar, elas apenas mudam o foco para onde conseguem chegar por conta própria", explica.
Essa contenção de despesas reflete diretamente no tempo de viagem. Dados mostram que o período de reserva diminuiu e a média de permanência caiu de 2,3 para apenas duas noites.
"Isso significa que as pessoas que costumavam ficar três ou quatro noites estão cortando uma dessas diárias", afirmou Reichle. "Se elas estão reservando a mesma quantia de dinheiro para viajar que reservaram no ano passado — ou, em alguns casos, até menos — elas vão encurtar a estada ou buscar oportunidades onde o seu dinheiro renda mais", completa.