AVIAÇÃO

Novas tecnologias contra atraso mudam passageiros e aeroportos

Filas são o maior motivo de aborrecimento do viajante ao iniciar sua jornada no aeroporto. Pesquisas apontam isso. Enquanto aquele que viaja a lazer pode até seguir o conselho de relaxar, o viajante corporativo não tem motivos para aceitar esperas que poderiam ser evitadas. Com o crescente investimento em tecnologia tanto por parte de aeroportos quanto das linhas aéreas, daqui cerca de três anos este passageiro vai aceitar "menos do que nunca" uma fila de espera.

Até 2019, metade dos aeroportos do planeta estará munida de tecnologias para acabar com atrasos. Com isso, o comportamento do passageiro deve passar por mudanças, assim como a própria estrutura dos aeroportos - inclusive os nacionais, que mais devem sentir as diferenças.

Anne Worner/Flickr

TENDÊNCIAS
O primeiro motivo para acreditar na disseminação de tecnologias de ponta contra atrasos e cancelamento na aviação comercial é o aumento do número de passageiros (= pressão) no transporte aéreo global, conforme pesquisa recente da Iata.

Ainda que de maneira geral os aeroportos estejam em fase inicial da implementação de tecnologias para amenizar o corre-corre, segundo a Iata, o aumento de quiosques de autoatendimento são sinal de tendência da automação nos serviços dos aeroportos. Conforme o último estudo da entidade, o número de aeroportos com terminais de autoatendimento aumentou 26% de 2015 para 2016 - a primeira vez que cresce acima dos 20% nas pesquisas.

"Linhas aéreas e aeroportos não divergem muito nos interesses. O interesse é aumentar a automação. Assim como teve automação bancária aqui na década de 1980, em que o cliente exigia a presença do atendente, a gente tem esse condicionamento hoje. Mas isso já está mudando", reconhece o diretor de Operações do Aeroporto Internacional de Guarulhos, Miguel Dau. "A tendência nesses próximos anos é ter um percentual de autoatendimento de cerca de 50% no GRU. Isso vai diminuir filas e gargalos que causam as filas."

Emerson Souza

Entre as novas tecnologias para diluir eventuais congestionamentos, o GRU Airport introduziu um controle de embarque no qual o bilhete é verificado eletronicamente quando o viajante adentra a área inspeção, o BCBB. Além disso, o aeroporto conta com sua estrutura sistema de bagagem automatizado e de controle de passaporte eletrônico. "O passageiro que já tem passaporte com chip não precisa mais passar no guichê da polícia", observa o comandante.

Entre outras tendências de tecnologia ao viajante nos aeroportos está a de quiosques com oferta de filmes para download a serem assistidos durante o voo.

AÇÕES COORDENADAS
A medida mais adotada entre eles é a de criar um órgão central de controle para coordenar operações. Metade dos aeroportos do mundo tem medidas de centralização de operações e a previsão é de que 80% deles adotem tecnologia da informação para tal finalidade até 2019.

Outra área que terá atenção nos próximos anos é a de Collaborative Decision Making (CDM), uma espécie de força-tarefa que engloba tanto aeroportos quanto linhas aéreas na integração de processos e sistemas que podem diminuir atrasos, como vem acontecendo em aeroportos na Dinamarca e EUA. Hoje, um terço dos aeroportos tem alguma forma de CDM, mas apenas um em cada dez tem medidas o sistema gerenciamento aéreo incluído.
Divulgação/Sita

CANCELAMENTOS
Tecnologias específicas também têm sido desenvolvidas para minimizar o impacto de cancelamentos no tráfego e congestionamento de aeroportos. Atualmente, a maioria das autoridades aeroportuárias e companhias envia e-mails com avisos, enquanto um terço envia comunicados por redes sociais. Uma aproximação mais dirigida por meio de aplicativos deve fazer parte do plano de comunicação em metade dos aeroportos até 2019.

Quanto a tecnologias para se adiantar a cancelamentos, metade dos aeroportos do mundo deve ter novas medidas de precaução até 2019. Ao mesmo tempo, colaboradores dos aeroportos terão mais dispositivos (tablets e smartphones) disponíveis para controlar situações de cancelamentos.

CONSEQUÊNCIAS
Por conseguinte, a disposição dos estabelecimentos comerciais dos aeroportos devem passar por mudanças, passando a ficar em menor quantidade nas áreas de livre acesso nos aeroportos internacionais.

"Aqueles com viés internacional devem sentir mais a mudança. O passageiro vai chegar no aeroporto e ser atendido para o lado a raio-x mais rapidamente. Assim, toda estrutura hoje muito maior no 'lado terra' vai se normalizar e ficar no 'lado ar', como nos aeroportos asiáticos, por exemplo."
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