Guerra preocupa mais que pandemia nas viagens corporativas

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PANROTAS / Emerson Souza
Painel no Lacte 17 discutiu o conflito entre Rússia e Ucrânia e o impacto nas viagens e eventos corporativos
Painel no Lacte 17 discutiu o conflito entre Rússia e Ucrânia e o impacto nas viagens e eventos corporativos
O conflito entre Rússia e Ucrânia, apesar de distante da realidade brasileira, vem impactando todo o mundo. Ainda não é possível fazer previsões sobre a gravidade da crise, mas é preciso criar cenários para orientar. Diante de pedidos de alguns gestores à Alagev, a entidade incluiu um painel sobre a guerra e seus possíveis impactos nas viagens e eventos corporativos na tarde do segundo dia do Lacte 17. A discussão foi mediada pelo editor da PANROTAS, Rodrigo Vieira.

Depois de Fabio Bentes, da CNC, apresentar dados que mostram que o setor vai ser impactado de maneiras indiretas por conta da elevação da inflação e do aumento das commodities e combustível, o cenário é de uma enorme imprevisibilidade, mas, segundo o head de Corporate Security, Services & Administration da Bayer, Daniel Miranda, há pelo menos quatro impactos.

“O primeiro é a questão social, do que um conflito militar gera; depois é a produção alimentar, já que os dois países são os maiores produtores mundiais de trigo; tem também a questão energética, porque também são dois grandes produtores de energia e isso impacta diretamente toda a cadeia de produção; e, por fim, o tópico financeiro”, aponta Miranda.

Além disso, apesar de todas as dificuldades e preocupações deste conflito, também existem oportunidades. O Brasil é um país com uma base de agronegócio muito grande, o que aumenta sua responsabilidade e importância nos próximos meses. E isso é um ponto positivo, já que a parte militar em si não está próxima daqui.

“É mais seguro fazer investimento aqui do que em uma área com conflito. O negativo é o aumento de preço, claro, mas ele também pode gerar um aumento de receita, é cíclico. A crise vai impactar, mas não está tão próxima a nós. Cenário ainda vai mudar e a incerteza é o pior inimigo do planejamento, mas já estamos acostumados a ter mudanças muito rápidas.”

PANDEMIA X GUERRA
Perguntados se o que mais impacta e preocupa nas viagens e eventos corporativos é a pandemia ou o conflito no leste europeu, os três participantes do painel apontaram que a guerra é mais preocupante, já que é um fator imprevisível e a covid-19 já é vivida há dois anos.

PANROTAS / Emerson Souza
Fabio Bentes (CNC), Daniel Miranda (Bayer), Flavia Buiati (Atlantica Hotels) e Rodrigo Vieira (PANROTAS)
Fabio Bentes (CNC), Daniel Miranda (Bayer), Flavia Buiati (Atlantica Hotels) e Rodrigo Vieira (PANROTAS)
"Entendemos que a variável tem a ver com o período dessa guerra e gravidade. Se ela terminar nos próximos meses, dentro das nossas perspectivas, não seremos impactados. Talvez sejamos pouco ou nada impactados, do ponto de vista de demanda. Se for uma guerra mais longa, talvez nos afete. Além disso, temos boas notícias em relação à pandemia, vacinação, casos caindo, liberação de máscaras... aprendemos com a crise sanitária e temos ideia do que pode ou não fazer. Então, o conflito preocupa mais, pois a incerteza é maior”, diz a vice-presidente de Pessoas, Finanças e Jurídico na Atlantica Hotels, Flavia Buiati.

Para o economista sênior da CNC, Fabio Bentes, a guerra é um choque imprevisível, diferentemente da covid-19, onde, por dois anos, o mundo andou em uma curva de aprendizado. “A gente avançou nessa curva, já sabemos como a pandemia funciona, temos protocolos, nos vacinamos. Por isso, sem dúvida, o que mais preocupa é o impacto indireto da guerra, que não acontece aqui, mas interliga toda a economia. Vamos ter de caminhar nesse aprendizado por um tempo”, finaliza Bentes.
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