ITA completa um mês sem voar, com passageiros no chão e dívidas

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Divulgação/ITA
Sidnei Piva, presidente do grupo Itampemirim
Sidnei Piva, presidente do grupo Itampemirim
Há exatamente um mês, no dia 17 de dezembro, protestos em aeroportos e vídeos em rede sociais davam cara a uma crise ainda sem solução na mais nova companhia aérea brasileira. Continuidade de uma tradicional empresa nacional, o Grupo Itapemirim, a ITA Transportes Aéreos começou a voar pelo Brasil em junho e menos de um ano depois deixou seus passageiros e aeronaves no chão, fornecedores e colaboradores sem receber, perdeu parte de suas equipes e é alvo de uma série de ações na justiça com pedidos, inclusive, de decretação de falência e bloqueio dos bens dos líderes da companhia.

O descompasso do dia 17 de dezembro tinha uma razão clara: os problemas financeiros que assolavam o grupo antes mesmo do lançamento da companhia aérea. Mas toda a situação ficou ainda mais visível em virtude do momento, já dentro da alta temporada de viagens e às vésperas do início das comemorações de Natal e Ano Novo.

À época, a companhia justificou a paralisação das atividades em função de uma "reestruturação interna". Em comunicado divulgado para colaboradores, imprensa e passageiros informava que as autoridades competentes já haviam sido avisadas e que trabalharia para resolver os problemas de viajantes, sobretudo aqueles que estavam no meio das viagens.

"A ITA lamenta os transtornos causados e afirma que irá continuar prestando toda assistência aos passageiros impactados, conforme prevê a resolução 400 da Anac", dizia o comunicado amplamente divulgado pela aérea.

Leitor Chrystian Richard Nogueira/Piracicaba
Os guichês da Itapemirim em aeroportos ficaram repletos de viajantes em busca de informações
Os guichês da Itapemirim em aeroportos ficaram repletos de viajantes em busca de informações
Não eram raros, entretanto, os casos de viajantes que ainda faziam filas em guichês da empresa pelos aeroportos. A Anac, inclusive, chegou a pedir que os passageiros não fossem mais aos terminais até que a situação tivesse solução.

Com o passar dos dias, a ITA foi anunciando novos cancelamentos e outras empresas do setor se uniram para os viajantes e, por consequências, os agentes de viagens e operadoras que foram afetados pelo caso.

DESDOBRAMENTOS
Fora dos aeroportos, a situação também se desdobrou e a política se manifestou. O presidente da Comissão de Turismo da Câmara, deputado federal Bacelar (Podemos), solicitou ao Ministério Público Federal apuração da situação da Itapemirim. Já o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, deu declarações afirmando que a Anac interveio de maneira correta diante de um problema que "poderia ter sido mais grave".

Na esfera da justiça, a Itapemirim começou a prestar esclarecimentos para os Procons de São Paulo - com o qual já firmou um acordo para reembolsos - e Rio de Janeiro, com o risco de ser punida com multas milionárias nos dois casos.

Divulgação
A Itapemirim começou a voar em junho de 2021
A Itapemirim começou a voar em junho de 2021
"Dentro de casa" a companhia também enfrenta problemas. Sem pagar os colaboradores e pedindo que eles tenham compreensão com o momento, a empresa perdeu toda a equipe comercial, depois de um pedido coletivo de demissão.

E, no lance mais recente da história da suspensão das operações, a Itapemirim Transportes Aéreos foi proibida de vender bilhetes aéreos. A decisão veio por meio de uma medida cautelar e vigora enquanto a empresa não demonstrar o cumprimento de ações corretivas, como reacomodação de passageiros, reembolso integral da passagem aérea aos consumidores que optaram por esta alternativa e resposta aos clientes sobre todas as reclamações registradas na plataforma Consumidor.gov.br, inclusive aquelas cujo prazo de dez dias tenha sido descumprido pela empresa.
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