Princess Cruises vê excesso na China e mira América Latina

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Há quase 20 anos na companhia, o vice-presidente de Vendas Internacionais da Princess Cruises, Trey Hickey, veio ao Brasil para mudar a imagem da armadora no cenário do Turismo nacional. Em entrevista exclusiva à PANROTAS, o executivo fez uma análise da indústria de cruzeiros e destacou que, após uma década de foco no desenvolvimento do mercado chinês, as atenções da companhia voltaram para a América Latina.

De acordo com Hickey, os resultados das grandes linhas de cruzeiros com turistas latino-americanos estão muito abaixo da média internacional. Enquanto o índice de penetração da indústria gira em torno de 2,5% sobre a população de determinado mercado, na América Latina tal número não chega a 1%, evidenciando uma grande oportunidade de investimento em sua expansão.

“Cerca de 75 milhões de latino-americanos visitam os Estados Unidos todos os anos, mais que europeus e asiáticos combinados. Para o país, o mercado inbound da América Latina é maior que o do resto do mundo, com a Flórida sendo a principal porta de entrada. Se você pensar que, desse total, menos de 100 mil pessoas fazem um cruzeiro, é quase nada”, comentou o vice-presidente de Vendas Internacionais.

Divulgação/Princess Cruises
Trey Hickey, vice-presidente sênior de Vendas Internacionais da Princess Cruises
Trey Hickey, vice-presidente sênior de Vendas Internacionais da Princess Cruises
“O Banco Mundial diz que há mais de 200 milhões de pessoas de classe média na América Latina. Em um nível de penetração padrão, teríamos que cativar pelo menos 2,5% disso. Ou seja, cinco milhões de latino-americanos deveriam estar fazendo cruzeiros anualmente. Temos que multiplicar os números atuais por cinco”, indicou.

Segundo Hickey, a América Latina tem o poder de ser o maior mercado fly-cruise do mundo, ou seja, que viaja de avião para a cidade do porto de embarque.

“Sempre que se fala em América Latina, o Brasil representa metade. São tempos bons para começar novos negócios aqui e vamos reorganizar como estamos distribuídos no País para tentarmos ser mais eficientes no posicionamento da marca. Há muitas oportunidades para aproveitar esse mercado outbound do Brasil que pega aviões para os Estados Unidos e a Europa e ainda não inclui cruzeiros a partir dos melhores portos do mundo em suas viagens”, sugeriu o VP da Princess Cruises.

MUDANÇA DE FOCO
Nos últimos dez anos, as maiores armadoras do mundo voltaram intensamente suas atenções ao mercado chinês, com uma série de navios seguindo rumo à Ásia, porém, de acordo com Trey Hickey, tal região já está saturada de cruzeiros, abrindo espaço para novas oportunidades na América Latina.

“Na indústria de cruzeiros, é muito fácil ver um mercado ter excesso de oferta de tempos em tempos e, diferentemente da indústria hoteleira, por exemplo, se a demanda muda de lugar, você pode pegar suas propriedades e navegar até ela. Temos a vantagem de seguir as tendências do mercado com agilidade e, agora que a Ásia está estabelecida, as companhias de cruzeiros olham para outros mercados com potencial de crescimento. O núcleo da Carnival já está redobrando os esforços em relação à América Latina”, enfatizou.

“O mercado de cruzeiros no Brasil teve um pico por volta de 2012, quando cerca de 20 navios estavam em operação pela costa do País e mais de um milhão de passageiros foram transportados. E foi justamente nesse momento em que houve uma mudança de foco da indústria como um todo para o desenvolvimento do setor na China. Agora é o inverso. Às vezes, um destino fica muito desejado e atrai números crescentes de turistas, mas depois há um reequilíbrio”, explicou o executivo.

MULTIPLICAÇÃO DE FROTAS
Outro fator destacado para o investimento da Princess Cruises na América Latina é o aumento da sua frota, que passará a contar com mais cinco navios nos próximos seis anos, totalizando 22. Considerando todas as armadoras do mundo, a expectativa é que mais de 100 embarcações sejam colocadas em operação até 2027.

“Temos muitos navios chegando ao mercado nos próximos anos, em basicamente todas as grandes empresas, como a Princess, a Carnival, a Costa e a MSC. E não é só uma questão de quantidade, mas também de tamanho, pois são navios significativamente maiores que os atuais. A indústria está crescendo dramaticamente em termos de capacidade total de transporte”, destacou Hickey.

Divulgação/Fincantieri
Majestic Princess é o maior navio em operação pela Princess Cruises
Majestic Princess é o maior navio em operação pela Princess Cruises
“Além dos mais de 100 navios que serão construídos nos próximos anos, ainda temos mais de 200 que já estão em operação. Esse é mais um motivo de haver muitas oportunidades de atuação na América Latina nos próximos anos. Temos o desafio de encontrar lugares para servir de base para essas embarcações”, completou.

Em março deste ano, a Princess Cruises anunciou a encomenda de dois navios de 175 mil toneladas com capacidade para 4,3 mil passageiros junto à Fincantieri. Antes, a fabricante italiana já havia recebido pedidos para a construção de outras três embarcações, todas com 143 mil toneladas e capacidade para 3,5 mil cruzeiristas. As entregas estão programadas para 2019, 2020, 2022, 2023 e 2025.

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“Os novos navios têm a missão de atrair a atenção de um público mais jovem, dos millennials, que tradicionalmente não costuma considerar cruzeiros quando planeja suas viagens. Ao mesmo tempo, eles são tão grandes que possuem certas limitações, pois precisa haver infraestrutura para recebê-los”, comentou Hickey.

“Um grande navio transporta mais ou menos a mesma quantidade de pessoas que cerca de 20 Boeing 747. Imagine o que seria necessário a um aeroporto para lidar com a chegada de tanta gente de um mesmo destino de uma só vez. Nos próximos anos, teremos dezenas deles. Dá para imaginar o volume de viajantes que precisaremos para preenchê-los? Então não é só uma questão de infraestrutura, mas também de geração de demanda”, concluiu o vice-presidente da armadora.

Atualmente, a Princess Cruises transporta mais de dois milhões de pessoas por ano, sendo a segunda maior marca da Carnival Corporation, que, por sua vez, é responsável por cerca de metade da capacidade global de transporte de turistas. Considerada uma armadora com produtos premium, tem como principais concorrentes a Holland American e a Celebrity Cruises.
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