JTB suspenderá operações da AJMobi (Alatur) e focará na Quickly Travel

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PANROTAS / Emerson Souza
Eduardo Kina, CEO da AJMobi
Eduardo Kina, CEO da AJMobi
A pandemia fez a japonesa JTB rever seus investimentos no Brasil e mudar alguns planos, especialmente para a AJMobi (antiga Alatur), que o grupo comprou parcialmente em 2013 e completamente em 2018. Até o final do ano, a AJMobi, novo nome da empresa desde o começo de 2020, terá suas operações reduzidas a zero, e ficará em um processo de hibernação, nas palavras do CEO da empresa e representante da JTB no Brasil, Eduardo Kina.

De dez a 20 clientes, de acordo com Kina, poderão passar para a Quickly Travel, que se transforma, assim, no foco único de investimento da JTB no Brasil, após o fim do processo de hibernação. “São poucos os clientes que imaginamos que tenham o perfil e que queira migrar para a Quickly”, disse Kina ao Portal PANROTAS. Segundo ele, há 50 clientes que ainda passarão por renegociação que pode levar à migração ou à ida ao mercado. “Todos terão todo o prazo para decidir e no caso de bid escolher outra TMC, vamos dar prazo além do que está nos contratos pois queremos fazer um processo tranquilo e transparente para todos, sem qualquer ruído.”

O grupo japonês JTB é dono de 51% da Quickly Travel (transação feita em 2014), com os outros 49% nas mãos de Sergio Masaki Fumioka e Mami Fumioka. No mês passado, a Quickly, em entrevista ao Portal PANROTAS, já falava da expansão no quadro de funcionários, devido à chegada de sete contas da AJMobi (Alatur).

Divulgação/Quickly
Sergio Masaki Fumioka, sócio da Quickly Travel
Sergio Masaki Fumioka, sócio da Quickly Travel
Divulgação
Mami Fumioka, sócia da Quickly
Mami Fumioka, sócia da Quickly

VOLUME, VOLUME, VOLUME

Em seu pico de operações, a Alatur chegou a ter mais de 1 mil contas e mais de 1,2 mil funcionários. Desde a entrada de Kina, há cerca de cinco anos, houve uma reestruturação, com foco nos clientes com mais qualidade transacional e não mais no volume. Hoje há cerca de 200 clientes ativos na AJMobi, incluindo os 50 com algum potencial para a transferência para a Quickly, que tem uma carteira de 217 empresas ativas e um atendimento mais personalizado e próximo.

No começo da pandemia, a AJMobi tinha cerca de 400 clientes e 500 funcionários – hoje são 150 empregados. O objetivo do projeto de hibernação é deixar a TMC com menos de dez colaboradores e sem conta ativa. Tudo sendo feito ao longo do semestre. Alguns funcionários, depois de demitidos legalmente pela AJMobi, poderão ser recontratados pela Quickly.

MOTIVOS DA DECISÃO
A pandemia e a queda brusca nas viagens corporativas, as mudanças nas viagens a trabalho pós-crise, a recuperação lenta desse mercado (sem prazo para chegar aos volumes pré-pandemia) e a aposta em um tipo de cliente mais próximo da estrutura da Quickly foram os motivos para a decisão da JTB em relação à AJMobi. Até o começo deste ano, o plano era a reestruturação da agência, com renegociação com clientes e até a saída de alguns da carteira, mas ainda ativa no mercado. Porém, os números e as características da retomada fizeram os japoneses da JTB repensar o investimento e pisar no freio, apostando nessa hibernação.

Não há, segundo Eduardo Kina, um desapontamento com o Brasil e a JTB continuará por aqui via Quickly, que responde à JTB Americas, e via o próprio Kina, que fará a operação de hibernação da AJMobi, continuará analisando a evolução do mercado e representará a JTB no Brasil. “O movimento atual é uma evolução daquela a Alatur baseada em volume, passando pela AJMobi, priorizando mais um ambiente de receita... Ou seja desde a minha chegada iniciamos esse movimento, ou até antes. O objetivo era buscar mais lucratividade, qualidade e valor agregado aos clientes. Foi um processo, que, pelos motivos explicados chegou nessa decisão de congelar a marca no País”, explica ele.

RETOMADA
Kina acredita na volta das viagens corporativas, em volumes diferentes, com tendência de as viagens serem mais bem aproveitadas. “Vamos valorizar um pouco mais as viagens e aliar com viagens de lazer e com o trabalho nômade”, prevê ele. Estar o tempo todo dentro de um avião não será mais realidade, segundo o executivo.

VÍDEO EXCLUSIVO
Em entrevista exclusiva ao Portal PANROTAS, o CEO da AJMobi detalha a suspensão das operações da TMC, fala da relação com os clientes, colaboradores e o mercado, analisa as tendências de retomada e os próximos passos da JTB no País. “Continuamos no Brasil e de olho nas oportunidades. Temos forte presença nos Estados Unidos e também o grupo tem buscado novos modelos de negócios e oportunidades, incluindo por aqui”, afirmou.

Em 2019, segundo dados da Revista PANROTAS 1.414, de março de 2020, a então Alatur JTB registrou vendas de R$ 1,44 bilhão.

Assista ao vídeo abaixo com a entrevista com Eduardo Kina.


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