Maior do mundo, Expedia diz que IRRF de 25% no Brasil preocupa

|

Hoteis.com é a principal marca da Expedia no Brasil
Hoteis.com é a principal marca da Expedia no Brasil
No Brasil desde 2008, a gigante Expedia, maior grupo de venda de Viagens e Turismo do mundo, se diz muito preocupada com os impactos que a manutenção do imposto de renda (IRRF) de 25% sobre remessas ao Exterior pode causar nas vendas de viagens no País. A empresa, que atua aqui com marcas como Hoteis.com, Vrbo e Expedia Taap (nesta última oferece sua plataforma para uso por milhares de agências de viagens brasileiras), considera o imposto indevido e preocupante, ainda mais nesse momento de retomada.

Divulgação
Gustavo Dias, diretor América Latina do Expedia Group
Gustavo Dias, diretor América Latina do Expedia Group

Segundo Gustavo Dias, diretor da Expedia Group América Latina (Expedia, Hoteis.com, Vrbo, trivago, TAAP, entre outras marcas do grupo), e coordenador do Comitê de TravelTech da Câmara Brasileira de Economia Digital (Câmara-e.net), da qual fazem parte marcas como Decolar e Airbnb, esse imposto não tem similares em nenhum país no mundo. “Temos escritórios em mais de 80 países e não isso não existe.”

O IRRF sobre remessas ao Exterior, lembra ele, é tão absurdo pois é cobrado sobre o valor total da viagem, e não sobre o ganho dos distribuidores. "Ou seja, ele é cobrado sobre um valor que é maior do que o próprio ganho da agência, operadora ou OTA, que precisariam aumentar os preços em 33% para compensar a taxação e ter um valor líquido que os permita pagar o montante devido aos fornecedores; ou simplesmente não mais coletar em reais, o que reduziria por completo a geração de renda e tributos no Brasil e terminaria prejudicando os consumidores brasileiros e nossas agências parceiras", explica ele.

As duas consequências imediatas desse imposto para uma OTA como a Hoteis.com, da Expedia, são o 1) aumento do valor em 33% para quem quer pagar a viagem no Brasil, podendo parcelar a compra e não pagando IOF (e gerando empregos e impostos no Brasil) e 2) o estímulo para que o passageiro pague diretamente no hotel no Exterior, gerando impostos, empregos e renda somente lá fora.

“Há OTAs que têm apenas o modelo de pagamento no Exterior, mas não é o nosso caso e nem de várias outras, como a própria Decolar. Nós temos centenas de funcionários no Brasil, recolhemos impostos no Brasil, damos as facilidade de pagamento parcelado aos viajantes brasileiros e o Ministério da Economia precisa se sensibilizar que esse imposto é ruim não apenas para esse modelo de negócios, como para as milhares de pequenas agências que usam nossa plataforma para vender hotéis”, continua Dias.

BITRIBUTAÇÃO
Um imposto que é cobrado duas vezes (já que as empresas no Brasil já recolhem os impostos sobre as vendas normalmente e os fornecedores pagam seus impostos normalmente), que tem um valor acima do ganho dos distribuidores e que força o aumento de preços para pagamento no Brasil não tem razão de existir, segundo o setor e segundo pareceres do próprio Ministério da Economia. 35 países têm acordo de bitributação com o Brasil e as empresas conseguem driblar esse imposto, mas em países importantes turisticamente, como Estados Unidos, onde a Expedia está baseada, Reino Unido, que acaba de eliminar barreiras de entrada de turistas, Alemanha e Colômbia, para citar alguns, o IRRF está valendo.

“Esse imposto deveria ser zerado, como era antes de 2015, mas foi feito um acordo com o governo para os 6%, e não poderia haver timing pior para o setor que isso não ter acontecido bem na retomada das viagens e com os viajantes já pensando onde ir no verão do Hemisfério Norte”, comenta Gustavo Dias.

Com a Expedia Taap, grupo atende milhares de agências de viagens brasileiras, que usam a plataforma Expedia para venda de hotéis e outros produtos
Com a Expedia Taap, grupo atende milhares de agências de viagens brasileiras, que usam a plataforma Expedia para venda de hotéis e outros produtos
TURISMO É INTEGRADO
O diretor da Expedia pede uma compreensão mais ampla da Economia sobre o Turismo: “O Brasil é um mercado-chave para a Expedia e vamos continuar aqui. Não é esse o ponto. Nós vendemos viagens domésticas, cobrindo todo o Brasil, e que já está em níveis de pré-pandemia; mas também trazemos estrangeiros ao Brasil, especialmente dos Estados Unidos e Europa. Nossa terceira atuação é levar brasileiros ao Exterior, por meio de uma estrutura e de impostos recolhidos aqui. Tudo isso está interligado. O avião que traz o estrangeiro precisa do equilíbrio do brasileiro indo para fora. Essa é a cadeia do Turismo, um sistema integrado.”

Gustavo Dias afirma que, tanto como Expedia quanto como Comitê de Travel Techs da Câmara-e.net, tem tido boa recepção e entendimento no Ministério do Turismo. E que vem conversando com o governo há dois anos.

“Estamos muito preocupados, essa é a mensagem, e precisamos da sensibilização do Ministério da Economia para o impacto desse imposto em empresas do setor, de todos os tamanhos. O Brasil precisa continuar sendo protagonista na indústria de Viagens e Turismo e esse imposto é uma barreira, ainda mais nesse momento de retomada para pequenas agências, OTAs, operadoras e outros players”, finaliza ele.
 AVALIE A IMPORTÂNCIA DESTA NOTÍCIA