Iata pede mais tempo para flexibilizar EES e alerta para filas de até 6 horas nas fronteiras
Esperas de até seis horas foram registradas durante o verão europeu, embora representem situações extremas

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) pediu à União Europeia que mantenha a flexibilização do Entry/Exit System (EES), sistema europeu de controle de fronteiras que vem provocando longas filas e atrasos em aeroportos. A medida de desafogo chega ao fim neste domingo (6).
Segundo Thomas Reynaert, vice-presidente sênior de Relações Externas da Iata, a suspensão parcial deveria permanecer disponível pelo menos até o fim da temporada de inverno europeia (março de 2028). Para a entidade, retirar essa "válvula de escape" pode aumentar as filas em aeroportos.
A Iata reforça que não é contra o EES e nem defende o adiamento do sistema. A preocupação está apenas na retirada das medidas de flexibilidade antes que os problemas operacionais sejam resolvidos.
O sistema, implantado gradualmente a partir de outubro de 2025 e plenamente operacional nos 29 países participantes desde abril deste ano, substitui os carimbos manuais de passaporte pelo registro eletrônico de passageiros de países de fora da União Europeia e pela coleta de dados biométricos.
Os impactos já ultrapassaram a espera no controle de passaportes. A Iata relata casos de passageiros que perderam voos, foram retirados de aeronaves por atrasos no embarque e perderam conexões.
Prioridades antes do fim da flexiblização
Para a Iata, quatro condições deveriam ser atendidas antes que a possibilidade de suspensão parcial deixe de existir:
- equipes suficientes nos controles de fronteira;
- equipamentos e sistemas estáveis;
- funcionamento adequado de quiosques de autoatendimento e portões automatizados;
- e maior utilização de ferramentas de pré-registro.
O último ponto é considerado especialmente importante pela associação. A ideia é transferir parte do processo de registro para antes da chegada do passageiro ao controle de fronteira, reduzindo a pressão sobre áreas que já enfrentam filas.
Segundo Reynaert, falhas de hardware, instabilidade de software e diferenças de desempenho entre os países fizeram com que, em alguns casos, o tempo de processamento chegasse a triplicar.
Filas de seis horas já foram registradas

Questionado sobre os alertas anteriores da indústria de que o EES poderia provocar filas de até seis horas, Reynaert afirmou que o número não é exagerado. Segundo ele, esperas de até seis horas foram registradas durante o verão europeu, embora representem situações extremas.
A entidade também reclama da falta de dados operacionais padronizados para medir o problema em toda a Europa. Por isso, a Iata defende que governos, aeroportos e companhias aéreas compartilhem indicadores de desempenho e trabalhem com os mesmos parâmetros.
Nove países já pediram extensão
A pressão pela manutenção da flexibilidade não parte apenas das companhias aéreas. Bélgica, França, Alemanha, Grécia, Itália, Malta, Países Baixos, Portugal e Suíça já haviam pedido à Comissão Europeia, em julho, que a possibilidade de suspensão parcial fosse mantida.
Nos últimos meses, aeroportos e entidades do setor aéreo também alertaram para os efeitos das filas provocadas pela implantação do sistema biométrico.
Para a Iata, a extensão da flexibilidade permitiria que a Europa entrasse na temporada de outono e inverno com uma alternativa para lidar com eventuais gargalos, sem interromper a implantação do EES. A entidade quer que o mecanismo continue disponível até que a operação do novo sistema seja considerada suficientemente estável em toda a Europa.