Pedro Menezes   |   06/09/2026 00:02

Iata pede mais tempo para flexibilizar EES e alerta para filas de até 6 horas nas fronteiras

Esperas de até seis horas foram registradas durante o verão europeu, embora representem situações extremas


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Sistema substitui os carimbos manuais de passaporte pelo registro eletrônico de passageiros de países de fora da União Europeia
Sistema substitui os carimbos manuais de passaporte pelo registro eletrônico de passageiros de países de fora da União Europeia

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) pediu à União Europeia que mantenha a flexibilização do Entry/Exit System (EES), sistema europeu de controle de fronteiras que vem provocando longas filas e atrasos em aeroportos. A medida de desafogo chega ao fim neste domingo (6).

Segundo Thomas Reynaert, vice-presidente sênior de Relações Externas da Iata, a suspensão parcial deveria permanecer disponível pelo menos até o fim da temporada de inverno europeia (março de 2028). Para a entidade, retirar essa "válvula de escape" pode aumentar as filas em aeroportos.

A Iata reforça que não é contra o EES e nem defende o adiamento do sistema. A preocupação está apenas na retirada das medidas de flexibilidade antes que os problemas operacionais sejam resolvidos.

O sistema, implantado gradualmente a partir de outubro de 2025 e plenamente operacional nos 29 países participantes desde abril deste ano, substitui os carimbos manuais de passaporte pelo registro eletrônico de passageiros de países de fora da União Europeia e pela coleta de dados biométricos.

Os impactos já ultrapassaram a espera no controle de passaportes. A Iata relata casos de passageiros que perderam voos, foram retirados de aeronaves por atrasos no embarque e perderam conexões.

Prioridades antes do fim da flexiblização

Para a Iata, quatro condições deveriam ser atendidas antes que a possibilidade de suspensão parcial deixe de existir:

  • equipes suficientes nos controles de fronteira;
  • equipamentos e sistemas estáveis;
  • funcionamento adequado de quiosques de autoatendimento e portões automatizados;
  • e maior utilização de ferramentas de pré-registro.

O último ponto é considerado especialmente importante pela associação. A ideia é transferir parte do processo de registro para antes da chegada do passageiro ao controle de fronteira, reduzindo a pressão sobre áreas que já enfrentam filas.

Segundo Reynaert, falhas de hardware, instabilidade de software e diferenças de desempenho entre os países fizeram com que, em alguns casos, o tempo de processamento chegasse a triplicar.

Filas de seis horas já foram registradas

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Bélgica, França, Alemanha, Grécia, Itália, Malta, Países Baixos, Portugal e Suíça pediram a flexibilização da medida
Bélgica, França, Alemanha, Grécia, Itália, Malta, Países Baixos, Portugal e Suíça pediram a flexibilização da medida

Questionado sobre os alertas anteriores da indústria de que o EES poderia provocar filas de até seis horas, Reynaert afirmou que o número não é exagerado. Segundo ele, esperas de até seis horas foram registradas durante o verão europeu, embora representem situações extremas.

A entidade também reclama da falta de dados operacionais padronizados para medir o problema em toda a Europa. Por isso, a Iata defende que governos, aeroportos e companhias aéreas compartilhem indicadores de desempenho e trabalhem com os mesmos parâmetros.

Nove países já pediram extensão

A pressão pela manutenção da flexibilidade não parte apenas das companhias aéreas. Bélgica, França, Alemanha, Grécia, Itália, Malta, Países Baixos, Portugal e Suíça já haviam pedido à Comissão Europeia, em julho, que a possibilidade de suspensão parcial fosse mantida.

Nos últimos meses, aeroportos e entidades do setor aéreo também alertaram para os efeitos das filas provocadas pela implantação do sistema biométrico.

Para a Iata, a extensão da flexibilidade permitiria que a Europa entrasse na temporada de outono e inverno com uma alternativa para lidar com eventuais gargalos, sem interromper a implantação do EES. A entidade quer que o mecanismo continue disponível até que a operação do novo sistema seja considerada suficientemente estável em toda a Europa.

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.