Azul: "comprar Latam não é movimento ativo, mas é possível"

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PANROTAS / Emerson Souza
Marcelo Bento Ribeiro, diretor de Relações Institucionais da Azul
Marcelo Bento Ribeiro, diretor de Relações Institucionais da Azul

A Azul Linhas Aéreas está, de fato, se preparando para adquirir a Latam Brasil? Analistas do banco de investimento Bradesco BBI falam em uma movimentação e consequentemente elevaram o preço-alvo da Azul. Nesta terça-feira o Portal PANROTAS entrevistou o diretor de Relações Institucionais da Azul, Marcelo Bento Ribeiro, e questionou sobre esta possibilidade.

O executivo de mais de 25 anos de aviação respondeu que este "não é um movimento ativo" na Azul, mas avalia como "possível" que uma transação como esta aconteça. Para ele, fusões e aquisições são tendência na aviação internacional, mesmo em países em que governos subsidiaram suas companhias aéreas. No Brasil, onde as transportadoras praticamente têm de conduzir a gestão de crise por elas mesmas, isso pode ser ainda mais plausível.

"Acreditamos em uma consolidação (das aéreas) porque no Brasil não houve nenhum socorro direto, apenas medidas de facilitação do governo para nos ajudar a enfrentar a crise. Não tivemos doação de dinheiro, empréstimos e até mesmo participação societária do governo como em países da Europa e nos Estados Unidos. Empresas brasileiras estão com dificuldade maior do que as congêneres internacionais, e mesmo lá fora se vê consolidação. Não é um movimento ativo, simplesmente acreditamos que isso é possível", afirmou Marcelo Bento ao Portal PANROTAS.

"Quero dizer que não dá para falarmos na existência de um movimento ativo de consolidação dentro da Azul. O que existe são motivos para acreditarmos que é muito possível uma consolidação no mercado", esclareceu o diretor.

CONSULTORES CONTRATADOS
No fim de maio, o CEO da Azul, John Rodgerson, afirmou que a empresa contratou consultores e está estudando ativamente as oportunidades de consolidação da indústria.

E embora o Bradesco BBI veja grandes possibilidades de fusão, o mesmo não pensam os analistas do Morgan Stanley. Para eles, há certa euforia nestes rumores, principalmente pelas negativas claras de Jerome Cadier em relação à venda da operação da Latam no Brasil. A resposta do CEO reflete, na visão dos especialistas, a posição de acionistas da Latam, entre eles a própria família Cueto, do CEO do Grupo Latam, o chileno Enrique Cueto.

OCUPAÇÃO É DIFERENTE DE RENTABILIDADE
Sobre o reaquecimento na demanda sentido nestas últimas semanas pelo setor aéreo, Bento reitera que as previsões da IATA para a recuperação plena do setor apontam apenas para 2024.

"Existe um caminho muito longo para a retomada de rentabilidade, que é algo diferente da retomada de tráfego. Pagar o prejuízo desses meses e voltar efetivamente a gerar caixa é o maior desafio das aéreas. Neste momento, as empresas precisam de grande liquidez para aguentar o tranco, especialmente no internacional de longo curso, apesar de o internacional regional também estar difícil, com fronteiras importantes ainda fechadas", completa.

FIM DO CODESHARE
Prematuro e mais estratégico do que técnico. É assim que Marcelo Bento avalia a decisão da Latam Airlines de romper o codeshare com a Azul Linhas Aéreas. A intenção da concorrente, na visão de Bento, foi de deixar claro que ela não está à venda.

"Acreditamos que o fim do codeshare foi prematuro, afinal de contas a malha aérea ainda não alcançou o potencial que ela poderia chegar no País. Porém, a Latam quis deixar claro que ela não está à venda, como o próprio Jerome [Cadier] declarou. Mais do que uma decisão técnica, foi uma movimentação estratégica, para mostrar uma posição. Por nós, teríamos continuado por mais tempo, pois acreditamos que o codeshare ainda fazia sentido no âmbito de oferecer mais possibilidade de conexões a um público que está contando com uma oferta reduzida", justifica Bento.

O diretor ainda diz que o acordo de compartilhamento entregou muito do planejado, mas não chegou à plenitude. "Não chegamos a ter 100% das rotas em codeshare, o que não seria algo ruim."

Por sua vez, a Latam Airlines alega que tanto a expansão quanto o volume de passageiros beneficiados por este acordo ficaram aquém das expectativas iniciais da empresa durante o ano de 2021.
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