Operadoras: comunicação é chave para vender na crise

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Sensíveis ao noticiário a respeito das fronteiras, as operadoras que têm o internacional como carro-chefe têm de buscar alternativas para darem alguma condição de vendas aos agentes de viagens antes da chegada da vacina. Empresas de nicho e alto padrão, a Interpoint e a Viagens & Cia, que participaram hoje da Live PANROTAS - Retomada das Viagens, enfrentam este desafio e ressaltam a importância de se informar constantemente (assista no player acima).

A primeira, do diretor e VP da Braztoa Frederico Levy, tem o esqui como carro-chefe. A alta de inverno do hemisfério sul vinha com vendas satisfatórias, mas teve de ser toda prorrogada para o meio de 2021. "Ainda assim, não sabemos o que será do ano que vem, se as estações estarão ou não disponíveis. Estamos sensíveis às notícias de cada dia tanto no hemisfério sul e ainda mais no hemisfério norte, pois o inverno se aproxima na Europa e também temos vendas para pistas do continente."

Emerson Souza
Fred Levy, da Interpoint e da Braztoa
Fred Levy, da Interpoint e da Braztoa
Segundo ele, a grande maioria das viagens já adquiridas com as operadoras foi adiada para o mesmo produto, em outra data. "No entanto, tem uma parcela que adiou para o nacional ou optou por outros destinos no Exterior. Depende do perfil de passageiro, se é grupo de risco, entre outros fatores", afirmou Levy.

Estritamente internacional, a Viagens & Cia apostou nas Maldivas durante a pandemia. A aposta foi certeira, segundo seu diretor, Thiago Cuencas. Ele conta que as Maldivas subiram da 36ª para a sexta posição no número de brasileiros nos dados consolidados de setembro. Grande parte desses turistas certamente embarcou via Viagens & Cia, que criou ferramentas e material de marketing on-line mirando o destino paradisíaco.

"Nós vendemos e embarcamos um volume grande de passageiros às Maldivas. Demos um tratamento especial ao destino. Desde agosto, a Viagens & Cia tem dois cenários: já estamos embarcando de forma gradativa para destinos já abertos, como Maldivas, Turquia, Dubai e Egito, os clientes que adiaram as viagens. Mas tem também o cenário das viagens marcadas para destinos que se fecharam, e aqui estamos atuando de forma muito rigorosa, com transparência e informação acima de tudo", afirma Cuencas. "A grande maioria dos clientes não reitinerou e tampouco cancelou. Estão firmemente esperando reabrir os destinos. Inclusive temos reservas para o começo de 2022."

Emerson Souza
Thiago Cuencas, da Viagens & Cia
Thiago Cuencas, da Viagens & Cia
Além de informação de qualidade tirada em diálogos direto diretamente dos fornecedores, de entidades e de mídias como a PANROTAS, os operadores ressaltam a importância da padronização das regras e dos protocolos de viagens globalmente. Setores público e privado precisam ter critérios únicos para os protocolos, pois os viajantes estão buscando informações apuradas sobre cada hotel, companhia aérea, e governo dos destinos para os quais almejam ir.

"Os brasileiros querem viajar, mas com segurança. Querem comprar com confiança. Ninguém quer voar com uma companhia aérea que não tenha padrão em protocolos", afirma Cuencas.

"O agente precisa deixar claro para o cliente que tudo o que se fala hoje pode ser diferente amanhã. Neste aspecto, a parceria de toda cadeia produtiva é fundamental, pois o código de defesa do consumidor no Brasil prevalece e deixa a operadora como o último elo do Turismo. Precisamos estar em perfeita sintonia com os agentes e viajantes", afirma Levy.

Ambos os executivos têm a mesma aposta internacional para 2021: viagens de natureza, de bem-estar e passeios ao ar livre. No entanto, contrastam nos destinos: enquanto Frederico Levy aposta em América do Sul, Cuencas já mira África e Caribe.
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