AGÊNCIAS DE VIAGENS

Diretor da Almundo comenta aquisição pela CVC Corp


Emerson Souza
Luciano Barreto, diretor regional da Almundo
Luciano Barreto, diretor regional da Almundo
Os caminhos de Luciano Barreto e da Submarino Viagens voltam a se encontrar. O executivo deixou a direção da empresa em 2016, pouco tempo depois de a CVC Corp bater o martelo e comprar a OTA do grupo B2W por R$ 80 milhões. No ano seguinte, Barreto fechou como country manager Brasil da Almundo, empresa argentina de agências físicas e on-line que chegou exclusivamente como e-commerce no mercado brasileiro.

Hoje, ele é diretor regional da Almundo, mas também controla as operações de mercados estrangeiros da companhia argentina, o que inclui, além do Brasil, o México e a Colômbia. Na semana passada a Submarino Viagens, controlada pela CVC Corp, desembolsou US$ 77 milhões para comprar a Almundo, que era de propriedade do Grupo Iberostar, aquisição esta que vive fase de aprovação pelos órgãos regulamentares convenientes.

Em entrevista exclusiva ao Portal PANROTAS, Barreto vê a transação como favorável para ambos os lados. "A CVC Corp ganha com uma presença internacional ainda mais robusta, melhor gerenciada, depois que comprou a Ola Tours e a Bibam. A Almundo também ganha, principalmente com a possibilidade de explorar sinergias com as quais a CVC pode colaborar", avalia Barreto.

A Almundo tem no Brasil aproximadamente 60 funcionários e traçou meta de R$ 200 milhões de faturamento em nosso mercado no início do ano, porém esse objetivo foi revisado e o valor será um pouco menor, segundo o diretor regional.

PORTAL PANROTAS - Como começou e qual é sua trajetória na Almundo?
LUCIANO BARRETO - A Almundo é uma marca nova de uma empresa que já existia. Uma empresa que nos últimos anos passou por digitalização forte, se preparando para uma operação internacional. Da Argentina, fomos ao México e a Colômbia em 2015, e depois aguardamos o momento mais adequado para lançar no Brasil, o que aconteceu oficialmente em 2018. Eu fui o responsável por esse startup aqui no País e, também no ano passado, fui convidado pelo CEO da Almundo para fazer a gestão de Operações Internacionais.

PANROTAS - E que Almundo é essa que a CVC Corp está comprando?
BARRETO - Nosso faturamento está próximo dos US$ 425 milhões anuais. A participação internacional deste montante, isto é, Brasil, México e Colômbia, gira em torno de 25%. O México está ligeiramente acima da Colômbia em termos de resultados. As operações no Brasil começaram depois e tiveram uma estratégia de crescimento mais acelerada. Em um ano de atuação, o País mostrou seu potencial e hoje já é equiparado com o México, muito porque já tinha uma equipe com experiência no segmento. Grande parte dos colaboradores trabalhou comigo na Submarino. Isso nos possibilitou cortar o caminho da curva de aprendizado natural de players entrantes em um mercado.

PANROTAS - Sabemos que a CVC Corp está com sede de expansão internacional e que há várias opções de aquisição em sua mesa. Por que a companhia optou pela Almundo?
BARRETO - A CVC cresceu muito no mercado brasileiro tanto no lazer quanto no corporativo. Sabíamos que a expansão internacional era importante drive de crescimento, tanto que no ano passado comprou a Ola e a Bibam (da Argentina). Naquele momento, o grupo havia definido essa prioridade internacional. No entanto, essas operações ainda representavam menos de 10% do Turismo da Argentina, muito diferente do domínio que tem no Brasil, com cerca de 20% do share do mercado. Não posso dizer pela CVC Corp, mas acredito, sim, que a Almundo é o player ideal para eles se fortalecerem na Argentina e alçarem voos maiores, estando presente em outros mercados como México e Colômbia. Se o plano estratégico da CVC passa pela expansão internacional, a Almundo é uma excelente escolha.

PANROTAS - Por que?
BARRETO - Porque a Almundo é reconhecida por toda capacidade de inovação e tecnologia. É um player de destaque, referência na região em termos de inovação e capacidade de desenvolvimento tecnológico. Tem equipe sólida, boa metodologia de trabalho. Tudo isso certamente foi avaliado para a concretização da compra. Aliás, esse processo que está resultando na transação já começou há algum tempo. A aproximação começou meses atrás. De certa forma, o nosso time executivo vinha acompanhando de perto o desenrolar e a oportunidade é muito interessante, afinal é a junção de duas empresas que se destacam em suas áreas de atuação. Cada uma com características muito importantes. O potencial é de uma sinergia muito grande.

PANROTAS - Que estratégias você traçaria se tivesse com o controle de ambas as empresas, isto é, Submarino Viagens e Almundo?
BARRETO - Isso cabe à CVC Corp, e eu não posso falar por eles. Porém, em minha visão, são marcas que têm posicionamento diferentes. A Almundo está bem preparada para ser uma marca internacional, vem construindo uma reputação bastante inovadora, moderna e aspiracional. As OTAs podem conviver em total harmonia, mas com posicionamentos diferentes. Há muitas marcas no segmento on-line de viagens, e os clientes acabam optando de acordo com suas preferências. Eu não sou da opinião de que esse mercado será dominado por poucas marcas, pois vejo que sempre terá espaço para quem busca posicionamento e diferenciação. Marcas que prestam bom trabalho para o cliente... Não é preciso ter canibalização.

PANROTAS - E como a Almundo faz para se diferenciar?
BARRETO - Trabalhando para oferecer os melhores produtos e serviços de viagens. E isso acontece porque estamos sempre muito próximo dos fornecedores, trazendo negociações exclusivas e garantindo que o cliente tenha acesso a toda essa gôndola de produtos de maneira diversificada, com muito foco na experiência pré, durante e pós compra. Clientes satisfeitos fazem uma OTA bem-sucedida.

PANROTAS - A Almundo também tem lojas físicas. Elas estão dando espaço para o on-line? Qual a estratégia?
BARRETO - A Almundo tem mais de 100 lojas físicas na Argentina e vem acelerando o desenvolvimento deste canal de vendas por meio de franquias. A expectativa é de crescimento muito forte. Eu sempre fui defensor da venda on-line, mas a gente vê evolução do modelo de negócios cruzados, isto é, combinando meio on-line e físico. O objetivo final é entregar experiência superior ao cliente. Basta ver a Amazon, que é uma referência global em varejo on-line e está adquirindo players como o Whole Foods. O consumidor está cada vez mais conectado, mas isso não quer dizer que ele não possa ter experiência cross device. Ele precisa mesmo é da liberdade de escolher o canal que achar apropriado, o canal de preferência. A própria CVC é prova disso. Suas lojas físicas seguem crescendo em ritmo acelerado e trazendo receita substancial. Tanto Almundo quanto CVC têm tecnologia para potencializar todo efeito dessas operações, com muita inteligência e conhecimento para dar o seu melhor a clientes cada vez mais no centro das decisões.

PANROTAS - Por que a CVC Corp demorou para encontrar seu caminho no segmento on-line?
BARRETO - Eu não estava lá para identificar essa razões, portanto não posso opinar, mas o que estamos acompanhando é que a holding conseguiu retomar esse crescimento não só na Submarino como também na CVC.com.

PANROTAS - Como foi seu passado na Submarino?
BARRETO - Tive a felicidade de fundar a OTA em 2006. Registramos crescimento bastante robusto em toda sua história mas a B2W achou que seus ativos não eram o core do e-commerce, e decidiu que a venda era uma boa solução. Isso foi importante para a CVC. Além de dar maior penetração de vendas on-line, trouxe mais conhecimento deste segmento, o que vem ajudando a empresa a ter capacidade maior de inovação, de responder melhor às necessidades dos clientes neste mercado específico.
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